Tedros, da OMS: “A resposta não é dizer aos adolescentes que precisam se esforçar mais”

Estudo na The Lancet Global Health aponta 240 milhões de adolescentes inativos, sem avanço desde 2010, e nenhum país a caminho de cumprir a meta global de 2030.

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Sedentarismo em alta: um a cada quatro adolescentes em todo o mundo não pratica pelo menos 60 minutos de exercício em nenhum dia da semana, aponta OMS | Foto: Getty Images
Sedentarismo em alta: um a cada quatro adolescentes em todo o mu...
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Quinze anos depois, o mundo ainda não conseguiu fazer os adolescentes se movimentarem mais, e são as meninas que estão “ficando mais para atrás”. A constatação é de Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), que comentou na sexta-feira as estimativas sobre atividade física entre jovens divulgadas pelo órgão.

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Os dados saíram na revista científica The Lancet Global Health. Um a cada quatro adolescentes do planeta não faz pelo menos 60 minutos de exercício em nenhum dia da semana. Isso equivale a 240 milhões de jovens com idades entre 11 e 17 anos.

Na média, eles dizem se exercitar em apenas 2,7 dias por semana. Somente 14% afirmam ser ativos nos sete dias.

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A base do estudo reúne pesquisas populacionais com 3,2 milhões de adolescentes de 11 a 17 anos, coletadas em 140 países, entre eles o Brasil. O levantamento afirma que “não detectamos qualquer melhoria na atividade física dos adolescentes desde 2010 a nível global e na maioria das regiões”, e acrescenta que “nenhum país está no caminho certo para atingir a meta global de 2030”.

Nenhum país caminha para cumprir a meta de 2030

O objetivo prevê uma redução relativa de 15% até 2030 na parcela de adolescentes que não cumprem a recomendação global da OMS. Em 2010, o órgão orientou que todos os jovens façam pelo menos 60 minutos de atividade física moderada a vigorosa por dia.

Pelo que mostra a pesquisa, os níveis de atividade ficaram praticamente parados nos últimos 15 anos. Para o diretor da OMS, a saída passa pelo ambiente, e não por cobrança: “A resposta não é dizer aos adolescentes que precisam se esforçar mais. É construir escolas, ruas e comunidades onde se movimentar, brincar e praticar atividades físicas seja seguro, fácil e algo natural”, afirmou em nota à imprensa.

Meninas ficam para trás, inclusive no Brasil

A desigualdade aparece com força entre os sexos. Da população feminina, 28% não pratica atividade física em nenhum dia, contra 22% dos meninos. Além disso, só 11% das meninas se dizem ativas todos os dias, enquanto entre os meninos o índice chega a 17%.

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Em quase todos os países, elas têm níveis inferiores aos deles, mas a distância é maior em alguns lugares. No Egito, Brasil, Quênia e Coreia do Sul, a prevalência de 0 dias ativos ficou pelo menos 15 pontos percentuais menor entre os meninos do que entre as meninas.

Na Argélia, Egito, Brasil, Coreia do Sul, Israel e Líbano, os meninos somam de 1,1 a 1,2 dia ativo a mais por semana. A idade também pesa para elas: aos 11 anos, a média é de 2,6 dias ativos, e aos 17 anos cai para 2,2.

Entre os meninos, houve queda de 0,5 a 0,8 dia ativo por semana, em média, entre os 11 e os 17 anos, na Europa Central e Oriental, na Ásia Central, no Leste Asiático e Pacífico e nos países ocidentais de alta renda. Nessas três regiões, o recuo entre as meninas foi maior, de 1,2 a 1,4 dia na mesma faixa etária.

Os melhores índices aparecem em Sérvia, Canadá, Irlanda, Cazaquistão e Finlândia, com médias de 4,5 a 4,8 dias de atividade por semana. Já Camboja, Filipinas, Timor-Leste, Vietname, Nepal, Gabão, Libéria, Madagáscar, Mauritânia e Jordânia têm as menores, entre 1,7 e 1,9 dia.

Políticas devem olhar para os adolescentes menos ativos

Os pesquisadores avaliam que, “se as tendências de 2010–2025 continuarem até 2030, a meta global não será atingida”. Para eles, o grande contingente de jovens sem nenhum dia ativo mostra que as políticas atuais não chegam a uma parcela substancial da população.

A sugestão é que os programas deem prioridade ao engajamento dos menos ativos e levem em conta o contexto sociocultural de cada região. Os autores também lembram que estudos anteriores associaram desigualdades de renda aos níveis de atividade. Na análise deles, “esses padrões provavelmente são influenciados por diferenças no acesso a oportunidades e ambientes favoráveis, incluindo por meio da escola, programas comunitários, infraestrutura (por exemplo, espaços públicos abertos) e redes seguras para caminhadas e ciclismo”.

O levantamento alerta que ações voltadas só à mudança de comportamento individual “provavelmente não serão suficientes sem ações paralelas para abordar as barreiras à atividade das meninas”. Entre esses obstáculos estão normas de gênero restritivas, preocupações com a segurança e a falta de oportunidades que atendam às necessidades e preferências delas.

“Esses achados sugerem a priorização de intervenções que visem todos os adolescentes, particularmente os menos ativos, abordando também as disparidades de gênero”, concluem os pesquisadores. Um estudo brasileiro da Universidade Estadual Paulista (Unesp) já havia indicado que praticar esportes nessa fase traz benefícios cardiovasculares por muitos anos, como uma espécie de “poupança” usada ao longo da vida.

A Redação Saúde e Educação reúne a cobertura do Clique Fatos sobre saúde, bem-estar e educação. As matérias são produzidas com apoio de inteligência artificial a partir de agências e veículos citados no texto. Encontrou um erro? Escreva para [email protected].

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