Tartarugas-gigantes extintas há 200 anos voltam a habitar ilha de Galápagos

Projeto de conservação em Galápagos já reintroduziu mais de 9 mil tartarugas-gigantes na natureza desde os anos 1960.

Uma tartaruga-gigante, pronta para ser solta na Ilha Floreana, Galápagos, em fevereiro de 2026

As Ilhas Galápagos se tornaram um exemplo de como a união entre governo, ONGs e moradores pode reverter décadas de danos ambientais. Um dos resultados mais expressivos desse esforço conjunto é a criação e soltura de mais de 9.000 tartarugas – gigantes nos últimos 60 anos.

O número impressionante, no entanto, não significa que o trabalho está perto do fim. A recuperação total das populações desses animais exige um tempo que poucos projetos de conservação estão dispostos a esperar. A lição, segundo especialistas, é de paciência.

O ritmo lento e constante das tartarugas

O pesquisador Gibbs, envolvido no projeto, traçou um paralelo direto entre o comportamento dos répteis e o sucesso da iniciativa. “Elas crescem lentamente, sim, mas são muito constantes e persistentes. É como a fábula da tartaruga e da lebre: no final, a tartaruga vence a corrida”, afirmou.

A metáfora se aplica bem ao trabalho de conservação. Diferente de intervenções que buscam resultados imediatos, a reintrodução das tartarugas – gigantes na natureza é um processo de décadas. Os animais levam anos para atingir a maturidade sexual e começam a se reproduzir em um ritmo próprio, que não pode ser acelerado.

Apesar da lentidão, Gibbs destacou a resiliência dos animais. “São criaturas tão resilientes, longevas e tenazes que, na verdade, nos permitiram resolver alguns dos problemas que criamos”, disse ele, referindo – se ao papel das próprias tartarugas no reequilíbrio dos ecossistemas locais.

Nobreza e resiliência na recuperação

O trabalho em Galápagos não se limita a criar e soltar os animais. Ele envolve a restauração de habitats e o controle de espécies invasoras, ações que criam as condições para que as tartarugas possam prosperar por conta própria. A longevidade das tartarugas – gigantes, que podem viver mais de 100 anos, é um fator chave.

Gibbs classificou os animais como “extraordinariamente nobres”. A nobreza, nesse contexto, está na capacidade de perdoar os erros humanos e se adaptar. As tartarugas, que um dia foram caçadas até quase a extinção por marinheiros e baleeiros, hoje são os símbolos vivos de que a recuperação é possível, desde que haja constância no esforço.

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O programa de conservação das Ilhas Galápagos se tornou uma referência global, provando que, quando o ser humano age como parceiro e não como predador, até mesmo as criaturas mais lentas podem vencer a corrida contra o tempo.