Tarson Nuñez defende investimento estratégico em cultura no RS

A cultura deve parar de ser vista como um tema secundário nas políticas públicas e, sim, ocupar uma posição estratégica nos projetos gerais do país. Essa foi a principal mensagem defendida durante o debate “Cultura e Desenvolvimento”, realizado na tarde da terça – feira (30), em Porto Alegre.
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O encontro reuniu diversas lideranças — incluindo ex – governador Olívio Dutra, cientista político Tarson Nuñez, rapper Rafa Rafuagi, Helena Bonumá —, que convergiram para defender que desenvolvimento econômico está intrinsecamente ligado à democracia cultural no Rio Grande do Sul.
A cultura como motor de riqueza nacional
Desde 2014, quando ingressou na Fundação de Economia e Estatística (FEE) ele dedicou sua pesquisa científica a demonstrar o valor da economia criativa. Segundo tarson nuñez, por muitos anos houve uma tendência em tratar os investimentos culturais apenas como um complemento às áreas consideradas prioritárias — tais como saúde ou educação.
“Os meus dez anos de estudo conseguiram comprovar claramente que a cultura não é a cereja do bolo”, afirmou Nuñez; “Investir na cultura pode ser uma alavanca fundamental para o desenvolvimento econômico“.
Impactos regionais: dados sobre Porto Alegre
O cientista político apontou dificuldades históricas das economias tradicionais ao mensurar toda a riqueza gerada pela atividade cultural. Ele destacou, contudo, exemplos concretos da economia criativa em ação no Brasil e especificamente em Porto Alegre.
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Em termos locais, ele citou um dado relevante de que cerca de 14% das empresas formais pertencem à economia criativa na cidade; além disso, aproximadamente 110 mil pessoas trabalham com carteira assinada neste segmento do setor econômico.
Integração social: cultura, feminismo e solidariedade
Helena Bonumá, integrante da Rede de Economia Solidária e Feminista, abordou a questão sob uma perspectiva mais ampla. Para ela, o campo cultural não é apenas fonte de renda ou expressão artística — mas também instrumento fundamental para fortalecer os laços democráticos coletivos no país.
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Bonumá lembrou que mesmo após desmonte das políticas culturais durante um governo anterior e em meio à pandemia de covid-19, houve resistência significativa por parte dos trabalhadores; essa resiliência foi garantida pela aprovação das leis Aldir Blanc e Paulo Gustavo na época do debate sobre recursos.
Desafios estruturais da cultura brasileira. A dirigente defendeu uma maior articulação entre a economia solidária, o feminismo e as práticas artísticas. Segundo ela, discutir arte exige enfrentar profundas desigualdades históricas brasileiras — como aquelas marcadas pelo legado escravocrata ou concentração excessiva de renda.
“Nós ainda não fizemos [a integração] disso”, pontuou Bonumá ao falar em potencial enorme que existe para unir os princípios econômicos sólidos com produção cultural local; esses princípios incluem cooperação, autogestão e combate às discriminações.
Planejamento estratégico no Rio Grande do Sul
O rapper Rafa Rafuagi focou a discussão na necessidade urgente de um planejamento mais concreto para o setor gaúcho. Para ele, encontros diagnósticos são importantes, mas é preciso avançar rapidamente rumo à elaboração propostas comuns capazes de guiar ações efetivas por parte das autoridades públicas.
“Tem muita falação e pouca ação”, enfatizou Rafa Rafuagi ao apontar que coletivos comunitários enfrentam dificuldades constantes em manter suas atividades básicas devido à falta crônica de recursos como aluguel ou energia elétrica.
Cultura: segurança pública e desenvolvimento humano
Além da dimensão econômica local, os participantes trouxeram a cultura para o debate sobre direitos sociais. Rafa também propôs aproximar as políticas culturais do conceito de segurança pública; ele defendeu usar uma parcela dos fundos destinados aos adolescentes internados na Fundação de Atendimento Socioeducativo (Fase) nos Pontos de Cultura.
“A cultura é tudo”, resumiu Rafuagi ao argumentar que ela atua simultaneamente em áreas vitais — seja saúde mental, educação ou assistência social —, sendo um pilar essencial no processo formativo desses jovens.
Visão macro: democracia e tecnologia
Olívio Dutra complementou a discussão relacionando o desenvolvimento à participação popular. A ex – governador destacou os 85 anos como símbolo da importância do diálogo permanente entre gerações para construir políticas públicas eficazes na sociedade moderna.
Para ele, não se deve reduzir conceito de “desenvolvimento” apenas ao crescimento econômico nem subordiná – lo aos interesses exclusivos do mercado; é fundamental que “o ser humano tenha [deixar] em primeiro lugar” nos objetivos das ações estatais no sentido mais amplo possível.
“Não é a tecnologia que demite trabalhadores”, argumentou Olívio Dutra sobre as transformações tecnológicas recentes — mas sim o uso dessa mesma ferramenta com foco exclusivo no interesse capitalista e desconsideração pela coletividade.”
Autor(a):
Pedro Santana
Ex-jogador de futebol profissional, Pedro Santana trocou os campos pela redação. Hoje, ele escreve análises detalhadas e bastidores de esportes, com um olhar único de quem já viveu o outro lado. Seus textos envolvem os leitores e criam discussões apaixonadas entre fãs.



