Renato Freitas discute cultura periférica em Porto Alegre

Renato Freitas analisa como cultura periférica emerge como ferramenta crucial contra o esquecimento social, impulsionando transformações territoriais.

01/07/2026 15:18

3 min

Ao longo da mesa, os convidados defenderam a cultura como ferramenta de resistência, organização comunitária e transformação social
Ao longo da mesa, os convidados defenderam a cultura como ferram...

A cultura produzida por povos historicamente marginalizados e nas periferias foi o foco de debate na tarde da terça – feira, dia 30, em Porto Alegre.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

O painel “Cultura e Periferia: potência e futuro” reuniu figuras importantes como Renato Freitas, presidente da Comissão de Igualdade Racial do Paraná Legislativo, rapper GOG e mestre Kaingang Pedro Garcia, que debateram a arte sob uma ótica de resistência social e transformação territorial.

Território é chave para pensar políticas culturais

Durante os debates, todos os participantes concordaram com um ponto central: as ações governamentais precisam ir além apenas do financiamento pontual de eventos. É necessário fortalecer territórios inteiros, valorizar saberes populares e garantir o protagonismo das populações negras, indígenas e periféricas em geral.

A mediação foi conduzida pela poeta Poeta Desperta, que iniciou a conversa defendendo que discutir cultura exige primeiramente reconhecer tanto os povos quanto os próprios espaços onde eles historicamente construíram suas vidas no Brasil. Para ela, não há como planejar qualquer política cultural sem considerar profundamente as relações entre identidade, pertencimento e direito ao território próprio.

Cultura Periférica: Luta contra esquecimento

Renato Freitas defendeu enfaticamente na mesa de debate que é preciso enxergar o fazer artístico das periferias como um elemento fundamental da organização popular brasileira. Segundo ele, foram justamente movimentos culturais — citando especificamente o hip – hop nas décadas de 1990 e 2000 —, que ofereceram à juventude negra uma importante perspectiva política em meio a contextos marcados pela violência crescente no país.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

“O rap construiu hegemonia pensamento todas as grandes periferias dos centros urbanos brasileiros”, afirmou ainda o deputado estadual sobre essa fase histórica. Ele destacou que esse movimento foi pura luta por resistência e sobrevivência para jovens negros desiludidos com os acontecimentos até então vistos na sociedade.

A crítica ao mercado cultural.Freitas alertou, contudo, também contra um risco real: é possível ver avançar domínio da indústria cultura nos territórios populares. Para ele, este setor tende a substituir produções críticas artísticas em favor de conteúdos voltados apenas ao consumo individualista do público geral.”

Leia também

“O nosso papel como Estado deve ser dar sentido à nossa tradição de resistência”, defendeu o parlamentar sobre as políticas públicas necessárias no momento atual. Ele criticou ainda que historicamente chamaram “alta cultura” serviu para excluir manifestações das camadas mais pobres.

Vozes e Saberes na Construção Social

GOG levou uma perspectiva diferente — aquela oralidade característica do hip – hop —, conduzindo sua intervenção com versos rimados, misturando poesia pura a crítica social contundente em reflexões profundas até mesmo por questões políticas internas.

Ele fez questão de defender os pioneiros da cena cultural ao afirmar: “a primeira geração do rap brasileiro não vive história; nós somos essa própria história”.

Em seguida, o rapper usou metáforicamente um jogo conhecido como futebol para falar sobre consciência. Ele defendeu que verdadeira transformação passa pela forma consciente e coletiva como as pessoas enxergam tanto si mesmas quanto seu entorno imediato.

Perspectivas Indígenas no debate

Representando a comunidade Pontão Kaingang, mestre Pedro Garcia trouxe uma perspectiva vital dos povos originários na discussão de cultura viva. Em sua fala, ele explicou que grande parte do processo formativo dele ocorreu fora das instituições educacionais tradicionais; foi por meio da convivência com os mais velhos e em contato direto com o ambiente florestal.

Ele recordou ainda violências sofridas pelos indígenas durante colonização: quando falar própria língua ou praticar costumes era proibido pelas autoridades.”

“A gente precisa deixar um caminho bom para nossa população brasileira”, concluiu García ao defender não apenas as culturas vivas atuais, mas também a importância desse intercâmbio entre diferentes comunidades visando reconstruir saberes historicamente silenciados.

Marcos Oliveira é um veterano na cobertura política, com mais de 15 anos de atuação em veículos renomados. Formado pela Universidade de Brasília, ele se especializou em análise política e jornalismo investigativo. Marcos é reconhecido por suas reportagens incisivas e comprometidas com a verdade.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Ative nossas Notificações

Ative nossas Notificações

Fique por dentro das últimas notícias em tempo real!