Talibã completa 5 anos no poder no Afeganistão; desafios e promessas de segurança marcam o período

Neste sábado, 15 de agosto de 2026, o Talibã completa cinco anos desde que tomou o poder no Afeganistão ao capturar Cabul. A capital foi invadida em um ataque relâmpago enquanto forças estrangeiras lideradas pelos Estados Unidos se retiravam do país.
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O presidente Ashraf Ghani fugiu, e as forças de segurança afegãs, que contavam com anos de apoio ocidental, se desintegraram.
Desde a sua ascensão, o Talibã estabeleceu um governo baseado na lei islâmica, prometendo segurança em todo o território. No entanto, o novo regime enfrenta diversos desafios. Conflitos letais continuam entre forças afegãs e paquistanesas, e a desnutrição atinge níveis críticos em um terço das províncias do país.
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Histórico do Talibã
O Talibã foi criado em 1994 por ex – combatentes da resistência afegã, conhecidos como mujahedeen. Esses militantes islâmicos sunitas lutaram contra as forças soviéticas na década de 1980 e buscavam impor sua interpretação da lei islâmica, além de eliminar a influência estrangeira no Afeganistão.
Após capturar Cabul em 1996, o grupo impôs regras rígidas à população. As mulheres eram obrigadas a usar coberturas da cabeça aos pés e estavam proibidas de trabalhar ou estudar. A situação mudou após os atentados de 11 de setembro de 2001, quando os Estados Unidos invadiram o Afeganistão para combater o Talibã e a Al Qaeda.
Nos últimos 20 anos, o Talibã travou uma insurreição contra as forças aliadas e o governo afegão apoiado pelos EUA. Atualmente, é liderado por Mawlawi Haibatullah Akhundzada, que assumiu a liderança em 2016 após a morte de Mullah Akhtar Mohammad Mansour em um ataque aéreo dos EUA.
A situação das mulheres no Afeganistão
A situação das mulheres no Afeganistão é alarmante desde a volta do Talibã ao poder. Segundo a UNESCO, mais de duas milhões de meninas foram impedidas de continuar seus estudos além do nível primário. O grupo limitou a educação feminina apenas até os 12 anos e ocupou a maioria dos cargos no setor público.
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A especialista Hoda Jaberian destacou que cerca de 2,4 milhões de meninas estão excluídas do ensino secundário e superior. Em seu comunicado, Jaberian alertou para um ciclo vicioso: menos meninas estudam e, consequentemente, menos profissionais femininas se tornam professoras e atuam na recuperação do sistema educacional.
A UNESCO projetou que até 2030 quase quatro milhões de meninas estarão fora da educação formal se as restrições persistirem. “As meninas e mulheres afegãs têm o direito de aprender”, enfatizou Jaberian, pedindo ao mundo que não ignore os direitos humanos dessas pessoas até que sejam restaurados.
Compromissos não cumpridos
Embora o Talibã tenha afirmado respeitar os direitos das mulheres segundo sua interpretação da lei islâmica, suas ações contradizem essas promessas. Desde o final de 2022, as garotas estão proibidas de frequentar universidades e há poucos avanços nas promessas feitas para reabrir escolas secundárias para meninas.
Diplomatas ocidentais têm criticado duramente essas políticas e afirmam que qualquer chance do Talibã obter reconhecimento formal está bloqueada até que haja mudanças significativas em suas abordagens relacionadas aos direitos femininos.
Autor(a):
Gabriel Furtado
Gabriel é economista e jornalista, trazendo análises claras sobre mercados financeiros, empreendedorismo e políticas econômicas. Sua habilidade de prever tendências e explicar dados complexos o torna referência para quem busca entender o mundo dos negócios.



