STJ autoriza penhora de milhas aéreas para quitação de dívidas em decisão unânime

A decisão do STJ pode transformar a dinâmica de recuperação de crédito, incentivando credores a utilizarem milhas como garantia em processos de cobrança.

19/08/2026 01:13

3 min

Fachada do Superior Tribunal de Justiça
Fachada do Superior Tribunal de Justiça

A 3ª turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) tomou uma decisão importante ao autorizar a penhora de pontos de programas de milhas aéreas e fidelidade para a quitação de dívidas. A votação foi unânime e abrangeu dois casos distintos que abordam a questão da penhorabilidade desses ativos.

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O primeiro caso envolveu um recurso apresentado por uma empresa de crédito pertencente ao grupo Santander. Neste processo, o STJ determinou que os ofícios que indicam a conversão das milhas devem ser enviados diretamente aos credores. Além disso, ficou estabelecido que as milhas do devedor podem ser retidas, ou seja, não poderão ser utilizadas até que a dívida seja quitada.

Ação de empresa de bebidas

No segundo processo, movido por uma empresa do setor de bebidas, a corte decidiu que o caso deve retornar ao juízo original. A determinação é que o credor indique quais fornecedores dos pontos devem ser notificados sobre a transmissão dos ativos.

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Essa medida é crucial para garantir que o processo siga de maneira adequada e transparente.

O STJ também abordou uma questão relevante sobre contratos existentes entre os consumidores e as empresas de fidelidade. Mesmo que haja cláusulas contratuais afirmando que determinados direitos não podem ser transferidos, essa restrição não pode servir como barreira para a atuação do juiz na cobrança da dívida.

Isso significa que o poder judiciário mantém sua autoridade para determinar a penhora dos pontos e milhas, independentemente das condições impostas pelos contratos.

Desafios da inadimplência

Especialistas apontam que a inadimplência dos clientes tem se tornado um grande desafio para varejistas e empresas em geral. Com essa nova decisão do STJ, espera – se que haja um impacto significativo no mercado financeiro e nas estratégias adotadas pelas empresas em relação à cobrança de dívidas.

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Essa possibilidade de penhorar milhas pode incentivar os credores a buscarem formas mais eficazes de recuperação de crédito, além de gerar discussões sobre os direitos dos consumidores frente às práticas das empresas proporcionadoras desses programas de fidelidade.

A decisão já gera repercussão entre advogados e especialistas em direito do consumidor, que analisam as implicações legais da penhora das milhas aéreas e como isso pode afetar os contratos futuros entre consumidores e empresas. A expectativa é que os próximos meses tragam mais esclarecimentos sobre como essa prática será implementada na prática e quais serão as reações dos consumidores nesse novo cenário.

Com essa mudança, fica claro que o STJ está atento à evolução do mercado e às novas formas de dívida geradas pela modernização das relações comerciais. As empresas precisarão se adequar rapidamente às novas regras para evitar complicações legais em seus processos financeiros.

Fluente em quatro idiomas e com experiência em coberturas internacionais, Ricardo Tavares explora o impacto global dos principais acontecimentos. Ele já reportou diretamente de zonas de conflito e acompanha as relações diplomáticas de perto.

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