SRB pede suspensão de vencimentos de crédito rural em meio a crise no agronegócio

A Sociedade Rural Brasileira pede ao Ministério da Agricultura a suspensão de vencimentos de crédito rural por 90 dias, em meio a crescente crise no setor.

23/04/2026 06:11

3 min

SRB pede suspensão de vencimentos de crédito rural em meio a crise no agronegócio
(Imagem de reprodução da internet).

SRB Solicita Suspensão de Vencimentos de Crédito Rural

A Sociedade Rural Brasileira (SRB) encaminhou um pedido ao Ministério da Agricultura solicitando a suspensão por 90 dias dos vencimentos de crédito rural destinados a custeio e investimento. Essa solicitação surge em um contexto de crescente endividamento no setor e aumento dos pedidos de recuperação judicial no agronegócio.

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A entidade expressa preocupação com as dificuldades de acesso ao crédito, destacando fatores como os altos custos de produção, a instabilidade nos preços das commodities, as taxas de juros elevadas e a ausência de mecanismos eficazes de mitigação de riscos, como o seguro rural.

O pedido foi formalizado em um ofício entregue pelo presidente da SRB, Sérgio Bortolozzo, ao ministro da Agricultura, André de Paula. Além disso, a SRB ressalta o aumento dos pedidos de recuperação judicial, que em 2025 alcançaram 1.990 solicitações, conforme levantamento da Serasa Experian.

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Esse número representa o maior índice desde o início da série histórica em 2021, quando foram registradas 193 solicitações, refletindo um crescimento de 56,4% em comparação ao ano anterior, com maior concentração na região Centro-Oeste.

Medidas Emergenciais e Críticas às Novas Regras

No documento, a SRB argumenta que a situação atual demanda ações emergenciais. “É essencial que, neste momento, sejam suspensos os vencimentos de créditos de custeio e de investimento por um período de 90 dias ou até que medidas do Poder Executivo ou do Poder Legislativo sejam aprovadas e entrem em vigor no arcabouço jurídico brasileiro”, afirma a entidade.

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Além da questão do endividamento, a SRB critica as recentes mudanças nas regras de financiamento.

A partir de 1º de abril de 2026, instituições financeiras que operam com recursos controlados ou direcionados são obrigadas a consultar dados do PRODES/INPE antes de liberar financiamentos para imóveis com mais de quatro módulos fiscais. Para propriedades menores, essa exigência começará a valer em janeiro de 2027.

Embora a entidade reconheça a intenção da norma, que visa evitar o financiamento de atividades ligadas ao desmatamento ilegal, questiona o modelo adotado.

Propostas de Ajustes e Diálogo com o Governo

A SRB propõe dois ajustes principais na norma. O primeiro sugere que o PRODES (Projeto de Monitoramento do Desmatamento da Floresta Amazônica Brasileira por Satélite) seja utilizado como uma ferramenta de triagem para acionar a verificação por órgãos ambientais competentes, em vez de servir como base direta para bloqueio de crédito.

O segundo ajuste defende que o prazo de resposta ao produtor seja compatível com o ciclo agrícola, com procedimentos simplificados para propriedades sem histórico de embargo.

A entidade também enfatiza a importância de um diálogo mais próximo com o governo federal. “Recomenda-se que o Ministério da Agricultura ouça as recomendações do setor produtivo, buscando a integração entre as necessidades dos produtores rurais”, conclui o documento.

A reportagem tentou contato com o Ministério da Agricultura para comentar sobre o pedido da SRB, mas não obteve resposta até a publicação desta matéria. O espaço permanece aberto para manifestação.

Marcos Oliveira é um veterano na cobertura política, com mais de 15 anos de atuação em veículos renomados. Formado pela Universidade de Brasília, ele se especializou em análise política e jornalismo investigativo. Marcos é reconhecido por suas reportagens incisivas e comprometidas com a verdade.

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