Sou da Paz: 425 munições do CV na megaoperação do Rio foram fabricadas em 2025, mesmo ano da ação

A data de fabricação sugere desvio recente, mas não revela como as munições saíram do controle do Estado.

Atualizado em

3 min

A Operação Contenção foi uma megaoperação policial realizada nos complexos da Penha e do Alemão, no Rio de Janeiro, com o objetivo de combater a expansão territorial do Comando Vermelho (CV) e prender cerca de 100 líderes criminosos | Foto: Reprodução/CNN Brasil

Um levantamento do Instituto Sou da Paz indica que 425 munições apreendidas com suspeitos de integrar o CV (Comando Vermelho) na megaoperação nos complexos da Penha e do Alemão foram fabricadas em 2025, mesmo ano da ação. A operação completa um ano na quarta-feira (28).

O dado foi obtido com exclusividade pela CNN Brasil. Ele representa 46,8% dos 909 cartuchos de fabricação nacional entre as 1.073 munições originais analisadas, e 84,7% de todo o material examinado tinha origem nacional. A data de fabricação, porém, não revela quando nem como as munições saíram do controle do Estado.

Ela apenas sugere um desvio recente.

Arsenal apreendido inclui armas das Forças Armadas

A recontagem oficial da Polícia Civil chegou a 120 armas de fogo. Entre elas estavam 93 fuzis, cerca de 25 a 26 pistolas e um revólver, além de granadas, carregadores e outras munições. Parte do material era de origem nas Forças Armadas.

Com a nova contagem, o valor estimado do que foi apreendido passou para mais de R$ 12 milhões.

MPRJ investiga as 122 mortes e já denunciou policiais

Considerada a operação mais letal da história do estado, a ação é alvo de uma investigação do MPRJ (Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro). O órgão quer esclarecer as circunstâncias das 122 mortes registradas nos confrontos nos complexos do Alemão e da Penha, na zona Norte do Rio.

Até agora, o GAESP (Grupo de Atuação Especializada em Segurança Pública) apresentou 12 denúncias contra 28 policiais militares, por crimes como furto, peculato, violação de domicílio, constrangimento ilegal de moradores, roubo e recusa de obediência. Paralelamente, o órgão toca um PIC (Procedimento Investigatório Criminal) para apurar as mortes.

Leia também

O coordenador do GAESP, promotor de Justiça Fabio Corrêa, afirmou que a apuração ouve policiais que participaram da ação e familiares das vítimas. Os investigadores também analisam mais de quatro mil horas de imagens de câmeras operacionais portáteis e laudos periciais médico-legais.

A meta é apontar o que aconteceu em cada morte e possíveis responsabilidades individuais, inclusive nos casos de agentes de segurança pública mortos durante os confrontos.

HRW vê problemas no uso de câmeras corporais

Na terça-feira (27), representantes da HRW (Human Rights Watch) levaram ao MPRJ um documento com conclusões sobre a operação. A equipe responsável pela investigação vai examiná-lo.

Na reunião, o diretor da HRW no Brasil, César Muñoz, reconheceu o esforço do Ministério Público para esclarecer as mortes. Ele, no entanto, apontou entraves ligados ao uso de câmeras corporais pelos agentes.

A própria investigação do GAESP encontrou falhas recorrentes nos equipamentos, como falta de câmeras, baterias descarregadas e problemas na distribuição dos aparelhos. Em março de 2026, diante das irregularidades, o procurador-geral de Justiça, Antonio José Campos Moreira, recomendou às secretarias estaduais de Polícia Militar, Polícia Civil e Segurança Pública que melhorem o uso dos equipamentos.

Segundo o MPRJ, algumas medidas já começaram a sair do papel.

Promotoria cita dificuldades de acesso e a ADPF 635

O Ministério Público afirma que a apuração segue as determinações do STF (Supremo Tribunal Federal) no âmbito da ADPF 635, que trata de medidas de segurança pública no Rio de Janeiro. O órgão também relata dificuldade para chegar de imediato aos locais dos confrontos, por questões de segurança.

Ainda segundo o MPRJ, parte dos agentes envolvidos não portava câmeras operacionais portáteis. A análise do conjunto de provas deve ajudar a esclarecer a operação, que completa um ano.

Atualização em 28/10/2026: o texto foi corrigido com base na fonte original.

A Redação Brasil reúne a cobertura do Clique Fatos sobre o noticiário das cidades e dos estados brasileiros. As matérias são produzidas com apoio de inteligência artificial a partir de agências e veículos citados no texto. Encontrou um erro? Escreva para contato@cliquefatos.com.br.