Soja no Brasil atinge menor preço em cinco anos; entenda os motivos da queda em abril de 2026

Cotação da Soja no Brasil em Abril de 2026
A cotação da soja no Brasil alcançou, em abril, o menor patamar dos últimos cinco anos para este período. Esse cenário é resultado de uma ampla oferta global, uma demanda mais cautelosa e a pressão cambial sobre os preços internos. No primeiro dia útil do mês, a saca em Paranaguá era negociada a R$ 130,50, conforme levantamento da Scot Consultoria.
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
Em 22 de abril, o preço caiu para R$ 127,50, representando uma queda de 2,3% no período.
Quando comparado ao mesmo intervalo do ano anterior, quando a cotação estava em R$ 137,00, a desvalorização chega a 6,9%. Tanto em termos nominais quanto considerando a inflação medida pelo IGP-DI, o valor atual é o menor para o mês desde 2020.
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
Esse comportamento está alinhado com a lógica sazonal do mercado, já que abril costuma apresentar os preços mais baixos do ano devido ao avanço da colheita. Contudo, a intensidade da queda em 2026 é notável.
Análise do Mercado
A Scot Consultoria observa que “a sazonalidade explica o movimento, mas não a magnitude. O que pesa neste momento é o excesso de oferta, tanto no Brasil quanto no cenário internacional”. A produção brasileira, segundo a Conab (Companhia Nacional de Abastecimento), foi revisada em abril para 179,2 milhões de toneladas, superando o volume da safra anterior.
Leia também
Esse aumento na produção amplia a disponibilidade interna em um período em que a demanda não cresce na mesma proporção.
No cenário global, a abundância também é evidente. Dados do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) apontam estoques finais de 124,8 milhões de toneladas, o maior nível das últimas safras. Nos Estados Unidos, a relação de preços favorável à soja tem levado produtores a transferirem áreas do milho para a oleaginosa, reforçando a expectativa de oferta elevada nos próximos ciclos.
Demanda e Influências Externas
A China, maior comprador da soja brasileira, reduziu sua participação nas exportações. Em março de 2025, a China representou 75,9% dos embarques, enquanto em março de 2026 esse percentual caiu para 68,7%. Essa mudança reflete a retomada das compras de soja dos Estados Unidos e um nível de estoques mais confortável no mercado chinês.
Gilberto Leal, Head de Commodities da Granel Corretora, afirma que “a China continua sendo o principal destino, mas está comprando de forma mais distribuída e com maior poder de barganha”, o que pressiona os preços no Brasil.
Outro fator que tem impactado o mercado é a valorização do real frente ao dólar nas últimas semanas. Como a soja é uma commodity cotada em moeda americana, a queda do dólar tende a reduzir os preços internos. Embora os preços ainda estejam acima dos registrados no ano passado, não há força suficiente para compensar os demais fatores de pressão.
Analistas indicam que o mercado está entrando em uma fase de transição.
Tendências Futuras
Com o fim da colheita se aproximando, a tendência sazonal é de redução da oferta disponível no curto prazo, o que pode oferecer algum suporte às cotações. No entanto, a expectativa é de que o espaço para recuperação seja limitado. “O mercado pode encontrar um piso com a entrada na entressafra, mas é improvável que vejamos uma reação mais forte enquanto o balanço global permanecer confortável”, afirmam pesquisadores.
Apesar do aumento da concorrência internacional, a soja brasileira continua competitiva. Segundo Leal, o produto nacional está bem posicionado no comércio global, mesmo com a China aumentando as compras de soja da Argentina, que compete com a soja norte-americana.
Autor(a):
Lucas Almeida
Lucas Almeida é o alívio cômico do jornal, transformando o cotidiano em crônicas hilárias e cheias de ironia. Com uma vasta experiência em stand-up comedy e redação humorística, ele garante boas risadas em meio às notícias.



