Sindicato denuncia violência e ataques durante greve na Replan

Sindicato denuncia ataques violentos e ameaças durante greve histórica na Replan, expondo fragilidades no setor petroquímico paulistano.

01/07/2026 20:09

4 min

Greve de trabalhadores terceirizado da Replan, no interior de São Paulo, durou 15 dias
Greve de trabalhadores terceirizado da Replan, no interior de Sã...

A greve dos trabalhadores terceirizados na Refinaria de Paulínia (Replan), que durou 15 dias e terminou nesta quarta – feira, dia 1º de julho, expôs um contraste dramático no setor petroquímico paulista.

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Enquanto a Petrobras registra recordes históricos em sua produção operacional, os operários do ramo de montagem e manutenção enfrentaram extrema violência durante o movimento reivindicatório por melhores condições trabalhistas. A mobilização foi conduzida pelo Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção e do Mobiliário de Campinas e Região (Sinticom) entre os dias 15 de junho e até esta data.

Violência marca fim das negociações na Replan

O conflito é um reflexo direto do modelo atual que fragmenta as relações empregatícias, segundo a desembargadora aposentada Magda Biavaschi, jurista especializada em Direito do Trabalho no Tribunal Regional do Trabalho da 4ª Região. A pesquisadora também atua como doutora e pós – doutora pelo Instituto de Economia da Unicamp Cesit estudando o impacto dessa modalidade trabalhista na América Latina.

Antes mesmo dos dias oficiais de greve começarem nas portarias da Refinaria Paulínia (Replan), os trabalhadores denunciaram ataques violentos durante suas mobilizações anteriores. O sindicato relatou ter sido alvo de supostos milicianos encapuzados que usavam tacos de beisebol contra eles, além de tiros para o alto e ameaças diretas à vida do pessoal envolvido no movimento.

Magda Biavaschi criticou veementemente a postura institucional diante das agressões registradas nos locais onde ocorreu a paralisação: “O tomador precisa saber quem ele está contratando […] Ele não pode lavar as mãos”, afirmou em entrevista ao portal G 1/UOL sobre questões legais da área trabalhista.

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A jurista destacou ainda um ponto crucial na legislação brasileira. Ela ressaltou ser inadmissível legalmente qualquer tentativa por parte da estatal de se eximir totalmente da culpa após os episódios recentes, especialmente quando há repressão contra o direito constitucional à greve.

Responsável pelo trabalho terceirizado

Para entender como funciona a responsabilidade jurídica nesse cenário complexo, Biavaschi explicou que é fundamental definir primeiro o conceito amplo e atual do fenômeno: “Terceirização ocorre quando um terceiro atravessa o binômio empregado e empregador”.

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Segundo ela, essa modalidade trabalhista ganha força em momentos onde houve forte pressão por liberalização dos mercados. Na América Latina, esse processo se expandiu sobretudo após os anos 90 porque seu potencial de fragmentar tanto o mundo quanto o próprio trabalho era altíssimo.

A teoria da culpa no Direito Civil

No âmbito jurídico brasileiro, a responsabilidade não é apenas sobre quem contrata diretamente; há uma responsabilização objetiva que recai também sobre as empresas tomadoras do serviço (como ocorre com grandes estatais). A própria legislação civil traz conceitos importantes como culpa in contrahendo e culpa in vigilando. Isso significa haver culpas na fase inicial da negociação contratual ou mesmo em fiscalizar se ela está cumprindo corretamente suas obrigações para os trabalhadores terceirizados.

Não pode lavar mãos, >O impacto no poder de barganha dos sindicatos

A especialista apontou ainda que a utilização desse trabalho fragmentado pelos empregadores funciona, primariamente, com o objetivo estratégico de reduzir custos operacionais corporativos. Esse mecanismo enfraquece diretamente o poderoso direito e capacidade negociadora das categorias sindicalizadas.

Magda Biavaschi alertou sobre como essa dinâmica atinge não só as relações sociais internas às empresas, mas também compromete os direitos fundamentais do trabalhador em geral: “Ao se gerar desigualdades […] estamos na realidade atingindo própria democracia”.

O histórico legal, >A trajetória da terceirização no Brasil

Para aprofundar ainda mais esse debate de fragilização dos trabalhadores, foi feita uma análise histórica. O processo que facilitou o uso crescente e generalizado dessa modalidade começou há décadas com marcos legais específicos.

Um ponto inicial importante é visto nas leis como Lei 6019/74 (que trata do trabalho temporário) ou em momentos posteriores, quando serviços especializados foram permitidos por outras normas; um exemplo citado na fala era sobre vigilância contratada via terceiro desde os anos 83 pela lei nº 7.102. A reforma trabalhista veio consolidando essa tendência ao permitir a terceirização não apenas para atividades específicas de suporte, mas também abrangendo todas as funções dentro das empresas privadas brasileiras hoje no dia a dia da economia moderna.

Conclusão, >Direito e resistência dos trabalhadores

Em suma, o direito do trabalho brasileiro possui mecanismos legais robustos — como avançar em direção à responsabilidade solidária por meio de súmulas— que visam proteger os desabrigados quando empregadores falham. No entanto, especialistas alertaram sobre um desafio constante: evitar que interesses privados suplantem sempre qualquer sentido público ou social na busca incessante pelo lucro extraordinário corporativo.

A luta pela manutenção desses direitos exige vigilância contínua da sociedade civil para frear a compulsão acumulativa.

Fluente em quatro idiomas e com experiência em coberturas internacionais, Ricardo Tavares explora o impacto global dos principais acontecimentos. Ele já reportou diretamente de zonas de conflito e acompanha as relações diplomáticas de perto.

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