Sindan alerta sobre necessidade de segregação de animais para atender exigências da União Europeia

A adoção de sistemas rigorosos de segregação é essencial para que o Brasil atenda às exigências da União Europeia e mantenha o acesso ao mercado.

18/08/2026 14:21

4 min

Wenderson Araujo
Wenderson Araujo

A pressão da União Europeia para restringir o uso de antimicrobianos na produção animal deve levar o Brasil a adotar sistemas mais rigorosos de segregação para bovinos, suínos e aves. Essa avaliação foi feita pelo Sindan (Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Saúde Animal), que destaca a necessidade de aumentar o controle sobre o histórico sanitário dos animais e comprovar quais produtos foram usados durante a produção, especialmente nos lotes destinados ao mercado europeu.

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Gabriela Moura, diretora de Mercado e Assuntos Regulatórios do Sindan, afirma que o Brasil ainda precisa evoluir para demonstrar de forma consistente que os animais destinados a esses mercados não receberam produtos que não atendem às exigências dos compradores.

O maior desafio está relacionado aos antimicrobianos considerados críticos para a medicina humana e certas moléculas utilizadas na produção animal.

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Desafios na cadeia produtiva

O uso terapêutico de antimicrobianos, indicado para tratar doenças, difere do uso preventivo ou como melhorador de desempenho. Essa diferença exige um controle mais rigoroso em toda a cadeia produtiva. Segundo o Sindan, a situação não é uniforme entre as espécies.

A utilização de antimicrobianos varia conforme os sistemas produtivos, o que implica soluções distintas para bovinos, suínos e aves.

No caso dos bovinos, a estrutura da cadeia é mais complexa. Esses animais podem passar por diversas propriedades ao longo de suas vidas, passando por etapas de cria, recria e engorda antes de serem abatidos. Além disso, o ciclo produtivo é mais longo, exigindo uma quantidade maior de informações a serem registradas e mantidas para comprovar o histórico sanitário.

“A cadeia bovina é muito mais fragmentada”, explica Gabriela em entrevista à CNN. Enquanto aves e suínos operam com sistemas mais integrados, a pecuária bovina enfrenta a necessidade de gerenciar diferentes produtores ao longo do ciclo do animal. “Isso torna a segregação mais complicada.

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Um produtor que optar por criar animais destinados a um mercado específico terá que controlar tudo dentro da propriedade e ainda conseguir comprovar esse histórico posteriormente”, complementa ela.

Custos e riscos envolvidos

O Sindicato também observa que países como Argentina e Austrália estão avançando rapidamente em mecanismos de rastreabilidade e controle. No Brasil, essa discussão levou tempo para se transformar em uma agenda estruturada para toda a cadeia produtiva.

Essa mudança pode resultar em uma divisão do mercado: um segmento convencional voltado para o Brasil e países com exigências semelhantes; outro focado em atender compradores que exigem protocolos mais rigorosos.

A adoção desses novos protocolos pode ter um custo significativo. Estimativas indicam que mudanças no manejo, registros, assistência técnica e controles adicionais podem impactar cerca de R 100 por animal. Contudo, os produtores enfrentam o dilema: investir antecipadamente sem garantia de um retorno financeiro imediato.

A importância do tratamento veterinário

Outro ponto importante destacado pelo Sindan é que reduzir o uso de antimicrobianos não significa deixar os animais sem tratamento. Os medicamentos continuam sendo ferramentas essenciais no combate a doenças. A chave está em distinguir entre o uso terapêutico — aplicado quando há enfermidade — e usos preventivos ou voltados à performance produtiva.

Além disso, o setor trabalha na redução da dependência desses produtos através de alternativas relacionadas à prevenção, manejo adequado, nutrição e bem – estar animal. Dados do Sindan mostram que a participação dos antimicrobianos no faturamento da indústria caiu de aproximadamente 17% em 2015 para 12% em 2025, enquanto outras categorias têm ganhado espaço.

Segregação nas cadeias produtivas

A necessidade de segregação também afeta as cadeias de suínos e aves, embora sua estrutura possa facilitar a implementação dos controles necessários. Em sistemas mais integrados, as empresas conseguem acompanhar desde alimentação até abate e processamento dos animais.

Isso possibilita registrar com maior precisão quais produtos foram utilizados nos diferentes lotes destinados aos mercados específicos.

Para os frigoríficos, essa mudança representa uma nova operação interna. Empresas já inseridas em diversos mercados internacionais precisarão separar fornecedores, lotes e fluxos de produção para garantir conformidade com as exigências específicas dos países importadores.

Fluente em quatro idiomas e com experiência em coberturas internacionais, Ricardo Tavares explora o impacto global dos principais acontecimentos. Ele já reportou diretamente de zonas de conflito e acompanha as relações diplomáticas de perto.

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