Sinal do detector LZ pode ser a primeira evidência direta de matéria escura
Sinal do detector LZ pode ser a primeira evidência direta de matéria escura, mas cientistas ainda analisam dados para descartar ruído ou contaminação.
Uma equipe de cientistas do experimento LZ (LUX – ZEPLIN), sediado no Laboratório de Pesquisa Subterrânea de Sanford, nos Estados Unidos, anunciou a detecção de sinais que podem ser a primeira evidência direta de matéria escura. O resultado, divulgado nesta semana, ainda é preliminar, mas já gera grande expectativa na comunidade científica internacional.
Os pesquisadores detectaram eventos que, segundo eles, se assemelham ao comportamento esperado para partículas de matéria escura interagindo com a matéria comum. O detector, instalado a mais de um quilômetro de profundidade para bloquear a radiação de fundo, registrou os sinais após anos de coleta de dados.
O que dizem os cientistas sobre o sinal
“Ainda há muito a fazer e aprender, mas se este for realmente um sinal de matéria escura, isso pode ser a chave para desbloquear uma grande quantidade de informações sobre nova física”, afirmou uma das líderes do experimento. A cientista destacou que a descoberta abriria caminho para medir o comportamento da matéria escura na vizinhança da Terra e, possivelmente, por todo o cosmos.
O LZ é um dos maiores e mais sensíveis detectores de matéria escura já construídos. Ele utiliza 10 toneladas de xenônio líquido para tentar capturar as raríssimas interações entre partículas de matéria escura e núcleos atômicos. O equipamento fica no subsolo de uma mina em Lead, Dakota do Sul, protegido por uma camada de rocha que filtra a maioria dos raios cósmicos.
Para garantir que os sinais não sejam falsos positivos, a equipe do LZ desenvolveu um sistema de blindagem externa, visível na imagem do detector, que bloqueia a radioatividade ambiente. “Plantando sinais falsos de matéria escura”, explicam os pesquisadores, a radiação de fundo poderia simular o evento procurado — por isso o cuidado extremo com o isolamento.
Próximos passos da investigação
Os cientistas agora trabalham na análise estatística dos dados para descartar explicações convencionais, como ruído eletrônico ou contaminação radioativa. A equipe planeja aumentar o tempo de exposição do detector e comparar os resultados com outros experimentos ao redor do mundo.
Caso confirmado, o sinal representaria a primeira detecção direta de matéria escura, uma substância que compõe cerca de 85% da massa do universo, mas que nunca foi observada diretamente. Até hoje, sua existência só foi inferida por seus efeitos gravitacionais em galáxias e aglomerados de galáxias.
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“Isso nos daria uma nova maneira de medir o comportamento da matéria escura na vizinhança da Terra e, possivelmente, de forma mais ampla, por todo o cosmos”, completou a pesquisadora. O próximo relatório detalhado do LZ deve ser publicado nos próximos meses, após a conclusão das verificações.