Sinal do detector LZ pode ser a primeira evidência direta de matéria escura

Sinal do detector LZ pode ser a primeira evidência direta de matéria escura, mas cientistas ainda analisam dados para descartar ruído ou contaminação.

Matéria sendo retirada de uma anã branca (esfera no canto inferior direito) orbitando dentro do disco de acreção interno do buraco negro de 1ES 1927+654

Uma equipe de cientistas do experimento LZ (LUX – ZEPLIN), sediado no Laboratório de Pesquisa Subterrânea de Sanford, nos Estados Unidos, anunciou a detecção de sinais que podem ser a primeira evidência direta de matéria escura. O resultado, divulgado nesta semana, ainda é preliminar, mas já gera grande expectativa na comunidade científica internacional.

Os pesquisadores detectaram eventos que, segundo eles, se assemelham ao comportamento esperado para partículas de matéria escura interagindo com a matéria comum. O detector, instalado a mais de um quilômetro de profundidade para bloquear a radiação de fundo, registrou os sinais após anos de coleta de dados.

O que dizem os cientistas sobre o sinal

“Ainda há muito a fazer e aprender, mas se este for realmente um sinal de matéria escura, isso pode ser a chave para desbloquear uma grande quantidade de informações sobre nova física”, afirmou uma das líderes do experimento. A cientista destacou que a descoberta abriria caminho para medir o comportamento da matéria escura na vizinhança da Terra e, possivelmente, por todo o cosmos.

O LZ é um dos maiores e mais sensíveis detectores de matéria escura já construídos. Ele utiliza 10 toneladas de xenônio líquido para tentar capturar as raríssimas interações entre partículas de matéria escura e núcleos atômicos. O equipamento fica no subsolo de uma mina em Lead, Dakota do Sul, protegido por uma camada de rocha que filtra a maioria dos raios cósmicos.

Para garantir que os sinais não sejam falsos positivos, a equipe do LZ desenvolveu um sistema de blindagem externa, visível na imagem do detector, que bloqueia a radioatividade ambiente. “Plantando sinais falsos de matéria escura”, explicam os pesquisadores, a radiação de fundo poderia simular o evento procurado — por isso o cuidado extremo com o isolamento.

Próximos passos da investigação

Os cientistas agora trabalham na análise estatística dos dados para descartar explicações convencionais, como ruído eletrônico ou contaminação radioativa. A equipe planeja aumentar o tempo de exposição do detector e comparar os resultados com outros experimentos ao redor do mundo.

Caso confirmado, o sinal representaria a primeira detecção direta de matéria escura, uma substância que compõe cerca de 85% da massa do universo, mas que nunca foi observada diretamente. Até hoje, sua existência só foi inferida por seus efeitos gravitacionais em galáxias e aglomerados de galáxias.

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“Isso nos daria uma nova maneira de medir o comportamento da matéria escura na vizinhança da Terra e, possivelmente, de forma mais ampla, por todo o cosmos”, completou a pesquisadora. O próximo relatório detalhado do LZ deve ser publicado nos próximos meses, após a conclusão das verificações.