Sigma recupera na Justiça licenças para retomar produção de lítio em MG

Decisão provisória permite retomada da extração no Vale do Jequitinhonha, mas impede ampliação da capacidade produtiva.

Produção da Sigma Lithium na mina Grota do Cirilo em Itinga (MG)

A Sigma Lithium conseguiu nesta quinta – feira (1º) uma vitória judicial que pode destravar a retomada de suas operações em Minas Gerais. O Tribunal Regional Federal da 6ª Região (TRF 6) restabeleceu, de forma provisória, três licenças ambientais do Projeto Grota do Cirilo, no Vale do Jequitinhonha.

A decisão, assinada pela desembargadora federal Mônica Sifuentes, atendeu em parte ao recurso apresentado pela Sigma Mineração, braço operacional do grupo. Com a medida, as licenças das Cavas Norte e Sul e do Projeto Pegmatito Barreiro voltam a valer.

A Justiça, no entanto, manteve a suspensão da licença de ampliação da unidade de tratamento de minério da Cava Norte.

O que foi liberado e o que segue suspenso

Na prática, a empresa conseguiu reverter a suspensão de três autorizações fundamentais para a continuidade do projeto de lítio. As licenças das Cavas Norte e Sul, que concentram a extração do minério, foram restabelecidas. Também voltou a valer a licença do Projeto Pegmatito Barreiro, outra área de exploração dentro do complexo.

Por outro lado, a Justiça manteve a suspensão da licença que permitiria a ampliação da unidade de tratamento de minério da Cava Norte. A decisão também proíbe a emissão de novas autorizações que aumentem a área ou a capacidade produtiva do complexo.

Isso significa que, por enquanto, a Sigma não pode expandir sua operação além do que já estava autorizado antes da suspensão.

A desembargadora Mônica Sifuentes, responsável pela decisão, determinou o restabelecimento provisório das licenças. O caráter temporário da medida indica que o mérito da questão ainda será analisado de forma mais aprofundada pelo tribunal.

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Impacto no mercado de lítio

A Sigma Lithium é uma das principais produtoras de lítio do Brasil, e o Projeto Grota do Cirilo é seu ativo mais importante. A suspensão das licenças, ocorrida em decisões anteriores, havia paralisado parte das operações da empresa em Minas Gerais, gerando incertezas no mercado.

Com a decisão do TRF 6, a companhia retoma a possibilidade de operar nas cavas liberadas e no Pegmatito Barreiro. A notícia foi recebida com otimismo por investidores, que acompanham de perto os desdobramentos judiciais envolvendo a mineradora. A retomada das atividades pode reaquecer a produção de lítio na região, essencial para a cadeia de baterias elétricas.

A Sigma Mineração, que recorreu da suspensão anterior, comemorou a decisão parcial. A empresa, no entanto, ainda não pode retomar a ampliação da unidade de tratamento de minério, o que limita seu potencial de crescimento imediato. A proibição de novas autorizações para aumento de área ou capacidade produtiva também impõe um freio a planos de expansão futuros.

Contexto jurídico e próximos passos

A decisão do TRF 6 representa um alívio para a Sigma, mas a batalha judicial está longe do fim. O restabelecimento provisório das licenças não encerra a discussão sobre a regularidade ambiental do projeto. A Justiça ainda deve analisar o mérito do recurso e decidir se as licenças podem ser mantidas em caráter definitivo.

A suspensão original das licenças havia sido motivada por questionamentos sobre o licenciamento ambiental do projeto. A Sigma, por sua vez, sempre defendeu a regularidade de suas operações e o cumprimento de todas as exigências dos órgãos ambientais.

A decisão desta quinta – feira dá fôlego à empresa, mas não resolve todas as pendências judiciais.

Agora, a Sigma Lithium aguarda o julgamento definitivo do recurso. Enquanto isso, poderá retomar as atividades nas áreas liberadas, desde que respeite as condições impostas pela Justiça. A proibição de ampliação da capacidade produtiva e de novas autorizações para aumento de área segue valendo, o que mantém a empresa sob vigilância judicial.