Sicredi projeta atender demanda por crédito rural no Plano Safra 2026/27 e busca funding mais barato

Sicredi espera atender a demanda por crédito rural no Plano Safra 2026/27, apesar dos desafios impostos pela Selic elevada e pela pressão econômica.

02/07/2026 16:37

3 min

Gustavo Freitas e Vitor Moraes, do Sicredi
Gustavo Freitas e Vitor Moraes, do Sicredi

O Sicredi está otimista com o Plano Safra 2026/27, acreditando que ele permitirá à cooperativa atender à demanda projetada por crédito rural. Durante uma coletiva de imprensa realizada na quinta – feira (2), executivos da instituição destacaram que os recursos equalizados devem ser suficientes para o planejamento da safra, complementados por outras fontes de funding em um cenário de juros elevados.

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A distribuição de recursos na safra 2025/26 foi de 52% controlados e 48% livres, um patamar considerado estável se comparado ao ano anterior, que teve mais recursos livres do que controlados. O superintendente de agronegócio do Sicredi, Vitor Moraes, explicou que a cooperativa ainda não tem uma visibilidade precisa sobre sua parte no leilão de recursos, mas espera conseguir atender quase toda a demanda.

Fontes de Funding e Desafios

Para compor o funding necessário para custeio, o Sicredi conta com a fatia controlada e outras fontes, como linhas dolarizadas, Cédula de Produto Rural (CPR) e fundos constitucionais. Moraes destacou que, mesmo se houver um valor menor disponível, esse déficit não deve impactar significativamente o atendimento aos produtores, considerando todas as fontes disponíveis.

Os executivos reconheceram a pressão da Selic em 14,25% sobre a capacidade de pagamento dos produtores, especialmente quando somada a fatores climáticos adversos e margens apertadas. Moraes comentou que a busca por fontes de funding mais baratas é uma prioridade para a cooperativa, mas destacou que há limites: “por responsabilidade fiduciária, o Sicredi não pode captar recursos a um custo abaixo da própria Selic“.

Cenário Econômico e Endividamento

Moraes também mencionou que a expectativa de queda da Selic tem avançado mais lentamente do que se previa anteriormente. Segundo ele, essa desaceleração é influenciada por fatores relevantes. A cooperativa continua em busca de captações mais econômicas para reduzir custos nas operações com recursos livres e reconhece que a concorrência por esses recursos aumentou.

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A carteira do Sicredi totaliza R 120 bilhões e apresenta uma composição heterogênea. Parte dos produtores está financeiramente organizada, enquanto outros acumulam endividamento nos últimos anos e precisam reequilibrar seu fluxo de caixa. Embora os níveis de inadimplência estejam acima da média histórica do Sicredi, eles ainda são inferiores à média do mercado.

Educação Financeira e Seguro Rural

Moraes mencionou que essa realidade é natural diante do contexto recente marcado por altos custos de produção e margens reduzidas. Ele também ressaltou que a projeção de crédito da cooperativa foca em produtores organizados financeiramente e que continuam sendo financiados com cautela.

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O diretor executivo de Negócios, Crédito e Segmentos do Sicredi, Gustavo Freitas, complementou afirmando que diversos fatores simultâneos, como preços baixos e riscos climáticos, exigem prudência ao invés de otimismo excessivo. Ele defendeu uma abordagem educacional para os produtores sobre finanças: “Talvez seja um momento de você frear um pouquinho”, disse Freitas.

Expectativas sobre Linhas Dolarizadas

Com relação ao seguro rural no Plano Safra, Freitas não espera reformas estruturais imediatas devido ao calendário eleitoral e à saída das equipes técnicas do tema. No entanto, ele acredita que algumas medidas podem ser anunciadas em breve. O interesse pelo seguro rural tem crescido nas regiões menos habituadas ao produto.

A cooperativa está trabalhando com seguradoras para modular produtos conforme as necessidades regionais. Em relação às linhas dolarizadas, essas representam uma grande aposta da cooperativa com expectativa de crescimento de 57% na safra 2026/27 em comparação ao ano anterior.

Moraes afirmou que essas linhas atendem à demanda dos produtores por custos mais baixos.

No entanto, ele alertou sobre o uso responsável dessas linhas: elas são indicadas apenas para produtores com receita em dólar e cujos prazos estejam alinhados com o momento dessa receita para evitar perdas devido à variação cambial desfavorável.

Autor(a):

Ex-jogador de futebol profissional, Pedro Santana trocou os campos pela redação. Hoje, ele escreve análises detalhadas e bastidores de esportes, com um olhar único de quem já viveu o outro lado. Seus textos envolvem os leitores e criam discussões apaixonadas entre fãs.

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