Imaflora alerta que recursos do Plano Safra 2026/27 não atendem demandas do setor agropecuário

Imaflora destaca que a falta de recursos adequados no Plano Safra 2026/27 pode agravar o endividamento e a inadimplência no setor agropecuário.

30/06/2026 11:36

3 min

Lavoura de café especial
Lavoura de café especial

O Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola (Imaflora) ressalta que as discussões em torno dos recursos do Plano Safra 2026/27 não são suficientes para atender às demandas do setor agropecuário. De acordo com a instituição, a questão central deve ser o endividamento dos produtores rurais e sua capacidade de acessar novos créditos.

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Paulo Camuri, gerente de Ciência do Clima e Inteligência de Dados e Territorial do Imaflora, destaca que o setor enfrenta um alto nível de endividamento. As dificuldades impactam tanto os empréstimos a taxas comerciais quanto as operações com recursos direcionados, como os do Plano Safra.

Informações do Banco Central, amplamente divulgadas na mídia, indicam que há R 140 bilhões em operações problemáticas, envolvendo inadimplência, atrasos e renegociações. Camuri também aponta o aumento nos pedidos de recuperação judicial e leilões de propriedades rurais que foram utilizadas como garantia em operações de crédito.

Desafios enfrentados pelos produtores

Esse cenário resulta em uma situação onde muitos produtores não conseguem buscar novos créditos, independentemente da disponibilidade deles. Fatores como a queda nos preços das commodities, o aumento dos custos dos fertilizantes devido a conflitos internacionais e as perdas nas safras decorrentes de condições climáticas adversas contribuem para essa realidade.

Camuri menciona que uma das principais reivindicações da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) é aumentar os recursos destinados ao seguro rural, cujos preços têm subido com a intensificação da crise climática.

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Para o Imaflora, é essencial investir em novos métodos de produção, armazenamento e transporte. Camuri afirma que as cadeias agropecuárias precisam aumentar os investimentos em descarbonização e práticas de baixa emissão para se tornarem menos vulneráveis aos efeitos das oscilações climáticas.

Ele sugere que uma medida inicial seria ampliar a parte do Plano Safra destinada ao Plano ABC+, que historicamente representa cerca de 5% do total disponível.

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Propostas para sustentabilidade no agro

A recomendação é migrar gradualmente uma maior parcela dos recursos do Safra para o Plano ABC+, além de promover a conscientização dos produtores sobre as oportunidades dessa transição, como aumento de produtividade e resiliência das culturas diante das variações climáticas.

Camuri também vê positivamente a criação de instrumentos que garantam a confiabilidade da produção com compromisso climático, promovendo seu reconhecimento no mercado.

Ele acredita que dar visibilidade à produção sustentável pode gerar vantagens tanto para o consumidor final quanto para a agroindústria. Isso garantiria ao produtor um maior valor agregado e acesso privilegiado a mercados. A taxonomia verde surge como um exemplo eficaz para acelerar a agenda de transição sustentável no agronegócio, especialmente se adotada amplamente pelos bancos.

Riscos associados ao seguro rural

Embora aumentar os recursos destinados ao seguro rural possa oferecer um alívio momentâneo aos produtores, Camuri alerta que essa solução pode se tornar insustentável no longo prazo. Ele menciona que eventos climáticos extremos devem continuar se intensificando, elevando indefinidamente os preços das apólices.

Além disso, o financiamento do seguro rural depende de verba discricionária, que pode ser realocada pelo governo para outras finalidades, gerando mais insegurança aos agricultores.

Camuri conclui afirmando que acelerar a jornada rumo à sustentabilidade é o único verdadeiro mecanismo de proteção a longo prazo para os produtores rurais. Essa abordagem contribui para limitar o aquecimento global e preservar serviços ecossistêmicos essenciais à agricultura.

Gabriel é economista e jornalista, trazendo análises claras sobre mercados financeiros, empreendedorismo e políticas econômicas. Sua habilidade de prever tendências e explicar dados complexos o torna referência para quem busca entender o mundo dos negócios.

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