Shamonda: vírus de bovinos mata homem na França e registra primeiro caso em humanos
Um homem imunocomprometido morreu na França, no dia 9 de outubro, após contrair o vírus Shamonda, segundo autoridades de saúde europeias. O caso é inédito porque o patógeno era considerado capaz de infectar apenas animais, sobretudo bovinos, e esta é a primeira vez que um humano é registrado com a doença.
Apesar do caso, especialistas e autoridades de saúde avaliam que as chances de o vírus provocar um surto ou uma epidemia são baixas.
Vírus já circulava em rebanhos europeus desde julho de 2026
O Shamonda foi descoberto na Nigéria, em 1965, e atinge sobretudo ruminantes como vacas, ovelhas e cabras. Nos animais, causa febre, diarreia e queda na produção de leite, mas raramente é letal em adultos. A transmissão ocorre pela picada de mosquitos do gênero Culicoides, conhecidos como maruins ou mosquitos-pólvora.
O vírus é parente do Oropouche, doença que afetou milhares de brasileiros nos últimos anos. Em julho de 2026, um surto causado por duas novas variantes do Shamonda foi identificado em rebanhos da Europa, inicialmente na Suíça e na Alemanha. A doença depois se espalhou para fazendas da França, da Espanha, de Portugal e de outros países.
Paciente com câncer teve sintomas neurológicos graves
O homem tinha mais de 60 anos, lutava contra um câncer e vivia na região rural de Ródano-Alpes, onde o vírus já circulava entre os animais. Ele apresentou diarreia, perda de visão, confusão mental e outros problemas neurológicos.
O quadro evoluiu para uma encefalite, que foi fatal. Segundo cientistas, a leucemia grave e a imunidade comprometida provavelmente agravaram a doença, já que um sistema imunológico frágil pode deixar o vírus mais tempo no organismo e atingir mais órgãos.
Picada de maruim é a hipótese mais provável
Segundo um relatório publicado no periódico Eurosurveillance, o mais provável é que o homem tenha sido infectado por uma picada de maruim. Outras hipóteses, consideradas menos prováveis, incluem o consumo de comida contaminada ou uma transfusão de sangue.
A autópsia mostrou níveis virais altos no cérebro, no fígado e no baço do paciente.
Exame de rotina não identifica o Shamonda
O vírus não aparece em exames de sangue de rotina. Por isso, os médicos precisaram sequenciar o RNA presente nas amostras do paciente.
O genoma encontrado no corpo do homem era bastante parecido com o do Shamonda que circula em animais, com destaque para cinco mutações. Os pesquisadores ainda não sabem se essas alterações tornam o vírus mais infeccioso para humanos.
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Redação Saúde e Educação
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