Setor de fertilizantes solicita subsídio de R 2,02 bilhões para importação de enxofre e ácido

A proposta de subsídio busca evitar a paralisação da produção de fertilizantes no Brasil, com risco de interrupção das operações ainda em 2026.

25/08/2026 14:41

4 min

Enxofre armazenado em terminal portuário da VLI em Santos
Enxofre armazenado em terminal portuário da VLI em Santos

O setor de fertilizantes está propondo uma subvenção emergencial de até R 2,02 bilhões para a importação de enxofre e ácido sulfúrico. A medida visa evitar a paralisação da produção nacional de fertilizantes fosfatados. O documento com a proposta, obtido pela CNN, foi elaborado por entidades do setor e pelo Sinprifert (Sindicato Nacional da Indústria de Matérias – Primas para Fertilizantes) após uma reunião na semana passada entre o ministro da Agricultura, André de Paula, e representantes do setor.

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Eduardo Monteiro, country manager da Mosaic e um dos participantes da reunião, afirmou que a expectativa é apresentar a proposta ao ministro nos próximos dias.

Aumento nos custos e impacto na produção

A nota técnica apresenta argumentos sobre como o aumento no custo do enxofre comprometeu a rentabilidade das fábricas brasileiras, podendo levar à interrupção das operações ainda em 2026. Em julho, o preço do enxofre importado atingiu US 1.200 por tonelada, uma alta impressionante de 1.225,6% em relação ao valor registrado em janeiro de 2024.

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O fertilizante MAP (fosfato monoamônico), o principal produto da cadeia, também teve um aumento significativo de 60,7% no mesmo período.

A proposta destinada ao governo sugere uma Medida Provisória que subsidie 85% da parte do preço do enxofre que ultrapassar US500 por tonelada e do ácido sulfúrico acima de US 152 por tonelada. Esse benefício terá um limite temporário com um teto de 600 mil toneladas para o enxofre e 150 mil toneladas para o ácido sulfúrico durante a vigência do programa.

Considerando os preços de julho e um câmbio de R 5,07 por dólar, as entidades estimam que o desembolso total seria em torno de R 2,02 bilhões, ou seja, cerca de R672,5 milhões por mês durante três meses. Caso os preços internacionais diminuam, o valor da subvenção também cairia automaticamente até zerar quando o preço do enxofre voltar ao patamar de US 500 por tonelada.

Consequências para a soja e produção nacional

As entidades alertam sobre os impactos econômicos significativos que essa alta nos preços pode causar na produção agrícola e na balança comercial. Atualmente, os custos estão mais altos do que nunca na última década, apresentando um aumento equivalente a 5,7 sacas por hectare em comparação à média dos últimos sete anos.

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O fertilizante se tornou a principal pressão sobre os custos em um momento onde o crédito está mais caro e há restrições no capital de giro.

Produtores já começaram a reduzir a adubação como forma de cortar despesas. Essa movimentação pode resultar numa queda entre 5% e 7% nas exportações brasileiras de soja no ciclo agrícola de 2026/27. As projeções indicam que isso poderia representar uma redução entre 5,8 milhões e 8,1 milhões de toneladas exportadas e uma perda entre US 2,5 bilhões e US 3,5 bilhões em receitas cambiais durante esse ciclo.

A nota técnica destaca ainda que o custo do enxofre passou a representar cerca de 66,7% do valor do fertilizante MAP. Historicamente responsável por apenas 15% a 20%, esse aumento coloca a produção em margem negativa quando essa participação supera aproximadamente os 50%.

Atualmente, praticamente toda a produção doméstica opera com prejuízo.

Urgência na implementação da medida

O setor já interrompeu algumas linhas de produção durante este ano e alerta que sem novas compras nas próximas semanas, as operações poderão parar até outubro. O documento enfatiza que o ciclo entre a contratação do insumo e sua chegada ao Brasil varia entre 60 e 90 dias.

Cerca de cinco mil empregos diretos e indiretos estão ligados às unidades produtoras distribuídas em cinco estados: Goiás, Minas Gerais, Bahia, Tocantins e São Paulo. A paralisação dessas unidades também afetaria as receitas municipais provenientes da CFEM (Compensação Financeira pela Exploração Mineral), ISS e outros tributos associados aos complexos mínero – químicos.

As entidades comparam essa proposta à concessão anterior feita pelo governo em subsídios aos combustíveis após aumentos provocados pelo conflito no Oriente Médio. Em 2026, o governo autorizou até R 10 bilhões em subvenções para diesel, gasolina e GLP — dos quais R 7,03 bilhões já foram desembolsados até julho — ressaltando que o custo para subsidiar o enxofre seria inferior a um terço desse valor.

Ponte até novas políticas

A proposta emergencial serve também como uma ponte até a implementação dos mecanismos previstos no Profert (Programa Nacional para Redução dos Custos dos Fertilizantes), que começará neste mês. O Profert criará estímulos permanentes à produção nacional e uma política gradual obrigatória para mistura de fertilizantes produzidos no Brasil até julho de 2027.

Entidades acreditam que sem essa medida emergencial ainda em 2026 parte da capacidade industrial poderá deixar de operar antes da execução plena dessa nova política. Ao final da nota técnica é solicitado ao governo federal a edição da Medida Provisória para instituir essa subvenção já em setembro deste ano.

As compras realizadas nas próximas semanas serão cruciais para determinar se a produção nacional continuará ativa no quarto trimestre deste ano e se conseguirá se preparar adequadamente para entrar em operação em 2027.

Marcos Oliveira é um veterano na cobertura política, com mais de 15 anos de atuação em veículos renomados. Formado pela Universidade de Brasília, ele se especializou em análise política e jornalismo investigativo. Marcos é reconhecido por suas reportagens incisivas e comprometidas com a verdade.

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