Servidores da educação municipal de SP mantêm greve e protestam contra vereador

Em maio, a categoria cobrou do secretário Fernando Padula proposta acima da inflação e reagiu a Lucas Pavanato, que chamou grevistas de “vagabundos”.

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Foto: Reprodução

Servidores da educação de São Paulo mantêm greve por tempo indeterminado

Em São Paulo, os servidores da educação da rede municipal decidiram, em assembleia na terça-feira, 19 de maio, manter a paralisação por tempo indeterminado. A categoria exige que a Secretaria Municipal de Educação (SME), liderada pelo secretário Fernando Padula Novaes, formalize um protocolo oficial com compromissos concretos e novas propostas para a valorização dos trabalhadores, superando o projeto de lei considerado insuficiente e abaixo da inflação acumulada.

Indignação e críticas ao vereador Pavanato

O movimento ganhou contornos de indignação após declarações do vereador Lucas Pavanato (PL), que chamou os professores em greve de “vagabundos”. Durante o ato, os servidores cobraram um posicionamento do secretário Fernando Padula Novaes sobre o ataque à categoria na Câmara dos Vereadores.

Claudete Alves, presidente do Sedin (Sindicato dos Educadores da Infância), expressou a demanda por uma declaração pública, afirmando que os servidores “não são vagabundos” e que precisam de reconhecimento pelo seu trabalho.

Aprovação da marcha e protesto na Câmara

Pouco antes das 13h, a proposta de Claudete Alves para caminhar até o Palácio Anchieta foi aprovada por unanimidade. O ato começou a marchar pelo centro da capital, chegando à frente da Câmara Municipal às 13h30 para protestar contra as ofensas e cobrar o apoio dos parlamentares.

A manifestação foi encerrada pouco antes das 14h.

Contexto da greve e reivindicações

A paralisação atual é o resultado de um processo de insatisfação que se estende desde o início do ano. O secretário-geral do Sinpeem (Sindicato dos Profissionais em Educação de Ensino Municipal), Cleiton Gomes, detalhou que a categoria realizou paralisações parciais de advertência nos dias 13 e 27 de março, antes de decretar a greve por tempo indeterminado em 28 de abril.

O reajuste oferecido pela prefeitura, enviado à Câmara em duas parcelas, é amplamente rejeitado por não recompor sequer a inflação do período.

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Rejeição ao confisco e à terceirização

A categoria também rechaça o confisco previdenciário de 14% aplicado a aposentados e o projeto que eleva o teto de profissionais contratados de 5% para 30%, o que, segundo o servidor, sinaliza o fim dos concursos públicos e caminha rumo à privatização do setor.

A situação é classificada pelos trabalhadores como a aplicação prática de uma “pedagogia do calote”.

Impacto da política orçamentária nas escolas

O professor de geografia da rede municipal, Ricardo Freitas, relata que os valores repassados para a manutenção das escolas vêm sofrendo cortes drásticos, citando como exemplo unidades com 120 crianças que recebem apenas R$ 3.000 para reformas e reparos estruturais.

Gabriel Alves, professor de geografia do ensino fundamental na EMEF Luis David Sobrinho, denuncia o colapso no atendimento a alunos com necessidades especiais, com salas de aula lotadas e falta de profissionais especializados.

Precarização e consequências no dia a dia

A escassez crônica de funcionários também foi apontada pela professora Gabriela Silva Santos, que relata a sobrecarga dos docentes devido à falta frequente de estagiários especializados. José Corsino da Costa, agente escolar da rede municipal, relata que a prefeitura congelou a evolução salarial da categoria, afetando servidores com mais de 15 anos de serviço.

Betiza Mendes, servidora há oito anos, critica os projetos que abrem margem para que professoras de CEIs migrem de cargo, visando esvaziar o quadro concursado.

Resistência jurídica e propostas para o futuro

A greve enfrenta uma ofensiva jurídica. O prefeito Ricardo Nunes obteve uma liminar na Justiça que determina a manutenção de 30% do contingente de trabalhadores em atividade nas escolas, sob pena de punições financeiras aos sindicatos. O presidente do Sinpeem, Cláudio Fonseca, propôs uma tática de resistência criativa de cumprimento da ordem.

A categoria busca a unificação das pautas com o movimento do ensino superior paulista para barrar projetos de privatização e exigir investimentos robustos na permanência estudantil e na valorização docente.

Os rumos da greve teriam um marco decisivo na quinta-feira, 21 de maio, quando, a partir das 10h, sindicatos e representantes da prefeitura participariam de uma audiência de conciliação no Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP).

Os comandos de greve convocaram a categoria para nova manifestação com assembleia geral naquela quinta-feira, às 14h, logo após a audiência.

Atualização em 30/10/2026: o texto foi corrigido.

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