Scott Bessent tenta conter juros nos EUA, mas taxa de 10 anos supera 5%

Estratégia de Bessent para conter juros nos EUA tem efeito contrário e taxa de 10 anos supera 5% pela primeira vez desde 2007.

16/09/2026 04:24

4 min

Scott Bessent – tesouro dos EUA – treasuries – treasury
Scott Bessent – tesouro dos EUA – treasuries – treasury

O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, enfrenta críticas crescentes após sua estratégia para conter os juros dos títulos públicos americanos não sair como planejado. Em vez de baixar os rendimentos, o mercado reagiu de forma contrária, elevando as taxas a patamares não vistos desde 2007.

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A situação coloca em xeque a atuação de um dos principais nomes da equipe econômica do presidente Donald Trump.

Bessent, que chegou ao cargo com a fama de ter ajudado o bilionário George Soros a “quebrar” o Banco da Inglaterra em 1992, parecia confiante. Em declarações recentes, ele desafiou investidores ao afirmar: “Agora eu sou a casa”. Mas a aposta no mercado de títulos, o mais profundo do planeta, não está rendendo os frutos esperados.

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O plano que deu errado

No início do ano passado, Bessent afirmou que queria reduzir o rendimento do título do Tesouro de 10 anos para abaixo de 4%. Na terça – feira, porém, a taxa chegou a superar 5,04%, algo que não acontecia desde 2007. A intervenção do secretário, que incluiu um plano de recompra de títulos, não conteve a alta.

Para Tim Mahedy, CEO da Access Macro e ex – funcionário do Federal Reserve de São Francisco e do Fundo Monetário Internacional, o efeito foi desastroso. “Os dados são claros. Ele jogou gasolina no fogo. Teve exatamente o impacto oposto ao que desejava”, disse Mahedy.

A avaliação é compartilhada por Hardika Singh, estrategista econômica da Fundstrat. “Foi um fracasso estrondoso. Na verdade, isso pode ter piorado o problema”, afirmou Singh à CNN.

Nem todos concordam com essa leitura. O economista – chefe do UBS, Paul Donovan, argumenta que a alta recente está mais ligada ao preço do petróleo. “O plano de recompra de títulos do secretário do Tesouro dos EUA não teve nenhum impacto perceptível”, escreveu Donovan em relatório na sexta – feira (11), segundo a Fortune.

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Críticas de aliados e especialistas

A estratégia de Bessent também atraiu críticas de seu próprio mentor, o lendário investidor Stanley Druckenmiller. Em um artigo de opinião no The Wall Street Journal, escrito com auxílio de inteligência artificial, Druckenmiller alertou que tentar suprimir os rendimentos seria contraproducente.

Douglas Holtz – Eakin, ex – economista do governo de George W. Bush e presidente do American Action Forum, foi direto: a medida estava “fadada ao fracasso”.

Para Holtz – Eakin, o problema de fundo são os déficits de trilhões de dólares. “Não acho que se possa enganar a Mãe Natureza. É preciso corrigir os problemas fundamentais”, disse. A dívida nacional dos EUA já ultrapassa US 40 trilhões, e os déficits orçamentários atuais são o dobro da meta de 3% do PIB prometida por Trump e Bessent. “Eles pioraram a situação.

Não há como negar”, completou Holtz – Eakin.

David Wessel, pesquisador sênior da Brookings Institution, afirmou que a intervenção só funcionaria se houvesse um problema grave de funcionamento do mercado, seguido por políticas de ajuste fiscal. “Mas esta não é uma emergência típica. É um aumento politicamente inconveniente nos rendimentos”, disse Wessel.

O peso da política de Trump

Parte das dificuldades de Bessent é atribuída ao ambiente criado pelo próprio presidente. Trump lançou uma guerra comercial global no ano passado e, mais recentemente, uma guerra militar com o Irã, fatores que agitaram o mercado de títulos e pressionaram a inflação. “Ele foi enganado pela política caótica de Trump”, afirmou Mahedy.

Além disso, os poderes do Tesouro são limitados em comparação aos do Federal Reserve. Ed Yardeni, presidente da Yardeni Research, observou que os US 6 bilhões em recompras prometidos por Bessent são “pouco mais que um erro de arredondamento” em um mercado de US 32 trilhões. “Os vigilantes de Bond estão desafiando Bessent a usar a bazuca que tem em seu arsenal”, escreveu Yardeni.

Apesar das críticas, Bessent mantém a confiança. Na semana passada, durante um bate – papo na Southern Methodist University, ele disse que possui “informação assimétrica” e desafiou investidores: “Podem apostar contra mim se quiserem”. Holtz – Eakin chamou a postura de imprudente. “Ele já esteve do outro lado.

Ele quebrou a barreira das libras. Não se provoca as pessoas assim. Não é uma boa jogada”, concluiu.

Autor(a):

Lucas Almeida é o alívio cômico do jornal, transformando o cotidiano em crônicas hilárias e cheias de ironia. Com uma vasta experiência em stand-up comedy e redação humorística, ele garante boas risadas em meio às notícias.

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