Santiago Peña é destituído pelo Senado do Paraguai por 44 votos a 0 e tem prisão decretada

Pedro Alliana, do mesmo Partido Colorado, assume até agosto de 2028, após protestos pela quebra do Ueno Bank, que atinge 2,9 milhões de clientes no Paraguai.

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Pedro Alliana é empossado presidente do Paraguai após o impeachment de Santiago Peña | Foto: Reprodução/Brasil de Fato

O Senado do Paraguai aprovou por unanimidade, na sexta-feira (6), o impeachment do presidente Santiago Peña. Logo depois, o Ministério Público decretou a prisão dele.

Foram 44 votos pela destituição, e apenas um senador não estava presente. A decisão chega após uma onda de protestos que toma o país desde terça-feira (3) e aumentou a pressão sobre os parlamentares.

Pedro Alliana assume a presidência até agosto de 2028

Com a saída de Peña, o vice-presidente Pedro Alliana passou a ocupar o cargo. Ele deve permanecer na presidência até agosto de 2028, ano das próximas eleições no Paraguai.

Alliana e Peña são do mesmo partido, o Colorado. Na quinta-feira (5), Peña anunciou a própria renúncia, um movimento que, se aceito pelo Congresso Nacional, o livraria da prisão. Os parlamentares rejeitaram a saída e mantiveram o julgamento. Peña disse que compareceria ao Senado, mas na manhã de sexta-feira tentou adiar a sessão.

Além do presidente, o Ministério Público pede a prisão do ex-presidente do Banco Central do Paraguai (BCP), Carlos Carvallo Spalding.

Quebra do Ueno Bank mergulha o país em crise

A quebra do Ueno Bank provocou uma crise financeira e política no Paraguai. Em apenas dois dias, o colapso levou centenas de pessoas às ruas de Assunção, derrubou o presidente do Banco Central do Paraguai (BCP) e deixou grandes redes varejistas praticamente sem vendas.

O banco atende 2,9 milhões de clientes, o equivalente a cerca de 40% da população paraguaia, e movimenta perto de 3 milhões de operações por dia. Boa parte dos pagamentos eletrônicos das grandes redes varejistas passa por ele, e a Associação de Importadores e Comerciantes do Paraguai (Asimcopar) já alerta para uma semiparalisação do mercado.

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A crise atinge cerca de três milhões de pessoas, quase metade da população, e também alcança diversas contas públicas. Peña integrou a holding controladora do banco até março de 2025.

Manifestantes cobram devolução total dos depósitos

Nas ruas, quem protesta quer reaver todo o dinheiro aplicado no banco. Entre os valores pedidos estão os recursos do Instituto de Previdência Social (IPS) e das caixas de aposentadoria.

Os protestos também atribuem responsabilidade ao presidente Santiago Peña, que foi acionista do grupo controlador do banco até 2025.

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