Santiago Peña vai ao Senado às 10h de sexta (6) para se defender no impeachment ligado ao Ueno Bank
O presidente do Paraguai, Santiago Peña, vai depor aos senadores no processo de impeachment na sexta-feira (6), a partir das 10h. A convocação saiu depois que o Senado recebeu, na noite de quinta-feira, a denúncia contra o mandatário.
O pedido de afastamento nasceu da crise provocada pelo fechamento do Ueno Bank, instituição ligada a ex-sócios comerciais de Peña. Com a quebra, as economias de centenas de milhares de paraguaios ficaram bloqueadas.
Câmara rejeitou renúncia e levou acusação ao Senado
No início da tarde de quinta-feira, Peña apresentou um pedido de renúncia, que não foi aceito pela Câmara dos Deputados. A sessão de análise ficou esvaziada depois que o próprio Partido Colorado, ao qual o presidente é filiado, deixou de comparecer.
O presidente da Casa, o deputado governista Raúl Latorre, convocou duas sessões seguidas. Na primeira, a acusação contra Peña foi votada. Logo em seguida, outra sessão tratou do pedido contra o vice-presidente, Pedro Alliana.
O caso de Alliana foi arquivado. Já o pedido contra Peña foi aceito e encaminhado ao Senado, onde os parlamentares designados como procuradores votaram pela aceitação integral da denúncia.
Senado marca depoimento de Peña para sexta-feira
O presidente da Casa, Basilio ‘Bachi’ Núñez, determinou a notificação de Peña e convocou oficialmente uma sessão extraordinária para a sexta-feira (6), às 10h. Na ocasião, o presidente deverá comparecer ao plenário para apresentar sua defesa e levar provas de sua inocência.
Na prática, são os próprios senadores que vão julgar o presidente. “Diante da continuidade do processo de impeachment, vou comparecer e exercer meu direito à defesa. Farei isso com argumentos e provas, respeitando a Constituição e as instituições da República. Mesmo que já tenham antecipado sua decisão, vou exercer esse direito. Não por uma questão de orgulho pessoal, mas porque prestar contas e dar explicações também é uma responsabilidade perante o povo paraguaio”, escreveu na rede social X.
Colapso do Ueno paralisou vendas e pressionou o Congresso
Em apenas dois dias, a quebra do banco digital mergulhou o país em uma crise financeira e política. Centenas de pessoas foram às ruas de Assunção, o presidente do Banco Central do Paraguai (BCP) perdeu o cargo e grandes redes varejistas ficaram quase sem conseguir vender.
A pressão levou o Congresso a alterar a lei para acelerar a liberação do dinheiro bloqueado dos clientes. O Ueno reúne 2,9 milhões de correntistas, o que equivale a cerca de 40% da população do país, e processa perto de 3 milhões de operações por dia.
Boa parte dos pagamentos eletrônicos feitos pelas grandes redes de varejo passa pelo banco, cerca de dois terços do total. Por isso, a Associação de Importadores e Comerciantes do Paraguai (Asimcopar) já fala em semiparalisação do mercado.
Manifestantes exigem devolução integral dos depósitos
Do lado de fora do Congresso paraguaio, centenas de manifestantes pedem o impeachment de Peña. O grupo também quer que todo o dinheiro depositado seja devolvido, inclusive os recursos do Instituto de Previdência Social (IPS) e das caixas de aposentadoria aplicados no banco.
Os protestos cobram ainda responsabilidade do presidente, que foi acionista do grupo controlador do banco até 2025.
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