Bilhões em reconhecimento facial: o que o Panóptico revela sobre custos e vieses?

Custos Bilionários e Falta de Transparência no Reconhecimento Facial
As tecnologias de reconhecimento facial aplicadas à segurança pública consomem bilhões de reais dos cofres públicos. No entanto, há uma grande carência de transparência sobre o funcionamento desses sistemas e sobre a real eficácia dessas ferramentas.
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Essa preocupação é levantada pelo Panóptico, um monitor ligado ao Centro de Estudos de Segurança e Cidadania (Cesec).
Investimentos e Estimativas de Gastos
Desde 2019, o Brasil já investiu R$ 2,65 bilhões em projetos de reconhecimento facial. Contudo, esse valor pode ser significativamente maior, visto que 68% das iniciativas carecem de divulgação pública de seus custos. Segundo Tallita Lima, coordenadora de pesquisa do Panóptico/Cesec, o valor extrapolado pode ultrapassar os R$ 8,3 bilhões.
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Dispersão e Opacidade dos Projetos
Lima explica que essa quantia elevada indica a existência de inúmeros projetos espalhados pelo país, abrangendo esferas municipais e estaduais, mas com baixíssima ou pouca transparência em relação aos gastos.
Viés Racial e o Treinamento Algorítmico
A pesquisadora também aponta os vieses presentes nos sistemas, que são baseados em inteligência artificial e aprendizado de máquina. Ela alerta que essas tecnologias não operam isoladamente do contexto social em que estão inseridas.
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O Reforço da Seletividade Penal
Lima argumenta que, se o contexto social brasileiro é marcado pela seletividade penal e racismo, a tecnologia inevitavelmente aprenderá com esse viés. Os dados utilizados para treinar esses sistemas são, em grande parte, provenientes de mandados de prisão em aberto.
Isso resulta em um reforço da estigmatização, já que a população carcerária majoritária é composta por pessoas pretas e pardas, o que impacta diretamente a precisão dos algoritmos.
Alternativas de Investimento e o Discurso da Modernidade
Outro problema crítico destacado é a ausência de dados concretos sobre a eficiência dessas tecnologias na redução da criminalidade. Essa lacuna leva alguns gestores públicos a adotarem projetos de reconhecimento facial sem questionamentos profundos.
Desvio de Verbas Públicas
Um exemplo citado é São Paulo, que teria gasto um valor muito superior em câmeras e dispositivos de reconhecimento do que em políticas voltadas para a prevenção da violência contra a mulher. Lima ressalta que esse montante poderia ser direcionado a outras políticas públicas essenciais.
Ela critica o discurso simplista de que a tecnologia resolverá todos os problemas de segurança. Esse discurso atrai o cidadão, que vê na modernização tecnológica a solução mágica para a insegurança, um tema central nas pesquisas recentes.
Conclusão sobre Políticas Públicas
É fundamental que os investimentos em segurança pública sejam acompanhados de análises rigorosas de impacto e transparência. A tecnologia deve ser vista como uma ferramenta, e não como a solução definitiva para problemas sociais complexos.
Autor(a):
Gabriel Furtado
Gabriel é economista e jornalista, trazendo análises claras sobre mercados financeiros, empreendedorismo e políticas econômicas. Sua habilidade de prever tendências e explicar dados complexos o torna referência para quem busca entender o mundo dos negócios.



