Ryanair prevê tarifas até 20% mais caras na Europa com a guerra no Irã e o querosene em alta

Michael OLeary, CEO da Ryanair, diz que o hedge protege 80% do combustível até março de 2027, mas só 25% do ano fiscal seguinte está travado.

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Caminhão-tanque da Shell reabastece aeronave da Ryanair no Aeroporto de Eindhoven, Holanda – 24/04/2026 | Foto: REUTERS/Piroschka van de Wouw

Americanos que planejam viajar à Europa no próximo verão podem querer começar a poupar já. A guerra no Irã elevou os preços dos combustíveis, e o CEO da Ryanair, a maior companhia aérea de baixo custo do mundo, alerta que os voos baratos de curta distância no continente devem ficar mais caros em breve.

Michael OLeary disse à CNBC, após a teleconferência de resultados da empresa na segunda-feira, que espera alta de 10%, e talvez até 20%, nas tarifas aéreas europeias no próximo ano. Quem sonha em conhecer vários destinos sem gastar muito pode sentir o impacto no bolso.

Por que o combustível pesa tanto nas companhias aéreas

Os americanos fizeram quase 24 milhões de viagens à Europa em 2025, um aumento de 5% em relação ao ano anterior. No verão deste ano, a rede de aviação europeia operou em média 35.959 voos por dia entre junho e agosto, alta de 2,4% frente ao ano passado, segundo a Organização Europeia para a Segurança da Navegação Aérea.

A guerra no Irã, que já está em seu nono mês, desorganizou as cadeias de suprimentos globais. O conflito fechou na prática o Estreito de Ormuz, por onde passavam cerca de 20% do petróleo mundial antes da guerra. O resultado foi uma alta no preço do petróleo e do querosene de aviação.

Para as companhias aéreas, o combustível é o segundo maior custo, atrás apenas da mão de obra. Por isso, a escalada afeta toda a conta da operação.

Hedge dá proteção à Ryanair, mas só até certo ponto

A Ryanair, maior companhia aérea da Europa em tráfego de passageiros, está mais protegida que muitas concorrentes graças ao hedge de combustível, prática que fixa preços antecipadamente para se resguardar da volatilidade do mercado. Segundo OLeary, a empresa travou o preço em US$ 67 por barril para 80% de suas necessidades até março de 2027.

Essa proteção, porém, não cobre tudo. Apenas 25% das necessidades de combustível para o próximo ano fiscal estão garantidos a cerca de US$ 95 por barril, e o restante fica exposto aos preços de mercado. O petróleo Brent chegou a cerca de US$ 110 por barril na segunda-feira, alta de 70% em relação ao ano anterior.

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No segundo trimestre fiscal, a Ryanair informou que sua conta anual de combustível deve subir cerca de 2 bilhões de euros (R$ 12,3 bilhões) no próximo ano fiscal, que termina em março de 2028. OLeary afirmou que as tarifas teriam de subir 20%, ou cerca de 10 euros por passageiro, para cobrir o custo.

Ele reconheceu, no entanto, que o reajuste pode não bastar.

Para reduzir a diferença, a empresa revisa custos. Entre as medidas estão congelamentos temporários de salários ligados a acordos trabalhistas que vencem em abril e índices de tripulação mais baixos.

Passagens nos EUA já sobem bem acima da inflação

Os comentários de OLeary chegam num momento em que o bolso do americano já sente a alta, sobretudo em viagens. As tarifas aéreas nos EUA subiram 22,4% em setembro na comparação anual, segundo o Bureau of Labor Statistics, cerca de seis vezes a taxa de inflação geral.

Pelos dados do Bureau of Transportation Statistics, a tarifa doméstica média chegou a US$ 445 no segundo trimestre. Diferentemente da Ryanair, as principais companhias aéreas americanas abandonaram o hedge de combustível há anos e ficam mais expostas de imediato à alta dos preços.

Menos assentos podem pressionar os preços

Querosene mais caro também pode significar menos voos. A Ryanair reduziu sua meta anual de passageiros de 216 milhões para 214 milhões no ano fiscal que termina em março, e espera que o tráfego de inverno fique estável para limitar a exposição a combustíveis caros.

OLeary afirmou que concorrentes europeias já cortam capacidade, o que tende a empurrar os preços para cima, já que os viajantes disputam menos assentos. Para ele, as rivais sob pressão financeira maior terão pouca saída além de elevar as tarifas, e a Ryanair poderia fazer o mesmo sem perder a vantagem de baixo custo. “Eles estão sob muito mais pressão para aumentar os preços”, disse ele na teleconferência.

Na visão do executivo, a companhia pode até manter ou ampliar suas margens enquanto os rivais reajustam as tarifas.

Para quem pretende encaixar várias cidades em uma só viagem, o efeito se soma. Uma passagem de 50 euros que subir 20% passaria a custar 60 euros. Parece pouco isoladamente, mas o valor cresce rápido com mais trechos e mais pessoas na família. OLeary recomendou que os viajantes não esperem uma promoção. “Eu os encorajaria a todos a reservar cedo, porque quanto mais você esperar, maior será a tarifa que pagará”, disse ele.

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