Rússia e Ucrânia intensificam operações aéreas e civis enfrentam aumento de ataques

A guerra entre Rússia e Ucrânia, que já dura quatro anos e meio, apresenta um novo cenário nos céus. As frentes de batalha permanecem estagnadas, mas as operações aéreas estão se intensificando, resultando em um aumento significativo de ataques e vítimas civis.
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De acordo com analistas, tanto as capacidades ofensivas quanto as defesas aéreas dos dois lados estão sendo superadas, o que tem levado a danos crescentes em infraestruturas críticas.
Olha Polishchuk, gerente de pesquisa para a Europa Oriental da ACLED, organizadora que monitora conflitos globalmente, observou: “Definitivamente, vemos um aumento no número de ataques, assim como no número de vítimas. Também houve uma escalada em relação à variedade de alvos atingidos.” A Ucrânia tem demonstrado habilidade em atingir áreas da Rússia que ficam a milhares de quilômetros da linha de frente, especialmente após o anúncio do presidente Volodymyr Zelensky sobre uma campanha de 40 dias focada em intensificar os ataques com drones.
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Intensificação dos ataques aéreos
Natia Seskuria, pesquisadora sênior do RUSI (Instituto Real de Serviços Unidos), destacou que essa ofensiva revela uma séria vulnerabilidade russa em interceptação. “Os últimos 40 dias demonstraram que a Ucrânia tem conseguido atingir seus alvos com bastante sucesso”, afirmou.
Os ucranianos passaram a atacar com mais frequência não apenas refinarias de petróleo, mas também subestações elétricas e outras partes da infraestrutura energética russa.
Além disso, Kiev intensificou os ataques aéreos visando interromper a logística militar russa nas áreas ocupadas do leste. Os analistas notaram que esses ataques têm como objetivo levar a guerra para o cotidiano dos russos e aumentar a pressão sobre as elites empresariais do país para pressionar o Kremlin por um fim à invasão.
Recentemente, a Ucrânia conseguiu romper defesas russas em São Petersburgo e tem atacado Moscou repetidamente.
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A estratégia ucraniana força os militares russos a espalhar seus sistemas de defesa aérea por uma área cada vez maior. Isso expõe as limitações das defesas russas, que não foram projetadas para lidar com drones. Imagens recentes mostraram soldados russos tentando responder rapidamente aos ataques enquanto disparavam sistemas portáteis de defesa aérea.
Consequências humanitárias e números alarmantes
A escalada dos combates tem gerado um aumento alarmante no número de civis mortos. Em junho, as Nações Unidas registraram o maior número de vítimas civis na Ucrânia desde 2022, com pelo menos 1.396 mortos e 7.978 feridos no primeiro semestre deste ano — um aumento de 37% em relação ao mesmo período do ano anterior.
A maioria das vítimas ocorreu em áreas sob controle ucraniano.
O Ministério das Relações Exteriores da Rússia reportou 797 civis mortos até agora neste ano; no entanto, esse número não foi verificado independentemente por organizações como a CNN. Durante esse tempo, a Rússia lançou uma média diária impressionante de 172 ataques contra a Ucrânia, enquanto Kiev fez cerca de 28 por dia.
Esses ataques massivos têm utilizado uma combinação crescente de drones e mísseis balísticos, dificultando ainda mais as defesas aéreas ucranianas. Moradores próximos à linha de frente descreveram suas experiências como um “safári de drones” orquestrado pelas tropas russas.
Perspectivas diplomáticas incertas
Enquanto isso, alguns especialistas acreditam que pode haver uma janela para negociações futuras. Observadores sugerem que tanto os Estados Unidos quanto aliados europeus poderiam intensificar seu apoio à Ucrânia para facilitar diálogos que culminem no fim do conflito.
No entanto, Polishchuk aponta que negociar com a Rússia tem sido ineficaz até agora e acredita que mudanças significativas na abordagem do presidente russo Vladimir Putin só ocorrerão sob pressão interna crescente devido à deterioração da economia russa.
Seskuria também é cética quanto à possibilidade atual de diplomacia eficaz: “Putin já não possui a mesma influência que tinha anteriormente”, avaliou ela. Com isso, muitos veem como mais provável uma continuação da escalada militar nas próximas semanas.
Autor(a):
Bianca Lemos
Ambientalista desde sempre, Bianca Lemos se dedica a reportagens que inspiram mudanças e conscientizam sobre as questões ambientais. Com uma abordagem sensível e dados bem fundamentados, seus textos chamam a atenção para a urgência do cuidado com o planeta.



