ReShark treina ‘babás’ para devolver tubarões-leopardo ao oceano Índico Pacífico

ReShark treina especialistas para devolver tubarões-leopardo a um ecossistema marinho ameaçado pelo declínio populacional.

24/08/2026 21:13

4 min

tubarao-leopardo
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Um programa de conservação está adotando uma estratégia pouco convencional para tentar reverter o declínio populacional do tubarão – leopardo do Indo – Pacífico (Stegostoma tigrinum), espécie ameaçada e que sofreu forte redução em áreas como Raja Ampat, na Indonésia.

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A iniciativa coordenada pela organização ReShark foca no resgate dos filhotes através da criação controlada: os animais nascem ou são eclodidos em aquários especializados antes de receberem um treinamento rigoroso. Desde 2023, já foram libertados ao oceano mais de 82 desses jovens exemplares nos trechos protegidos das Índias Orientais e Tailândia, conforme dados divulgados à CNN.

Como funciona a preparação para o retorno aos mares

O processo começa muito longe do mar aberto; ovos considerados viáveis chegam às instalações especializadas da ReShark localizadas tanto em Raja Ampat quanto em Phuket, na Tailândia. Nesses centros operacionais, profissionais acompanham cada fase desde que os animais eclodem até estarem prontos para serem soltos no ambiente natural.

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Os colaboradores envolvidos — apelidados informalmente de “babás de tubarões” —, realizam um trabalho técnico complexo e demorado: eles monitoram constantemente o desenvolvimento dos filhotes e auxiliam nas rotinas alimentares necessárias à sobrevivência fora das paredes aquáticas.

O treinamento pode levar meses inteiros antes mesmo do primeiro contato com a água aberta.

Uma etapa crucial é adaptar esses jovens exemplares às habilidades naturais de caça em seu habitat original. Em cativeiro, por exemplo, recebem peixes picados que são enriquecidos artificialmente com vitaminas essenciais ao crescimento saudável no programa.

Além disso, os animais também precisam desenvolver aptidão para retirar amêijoas ou caracóis diretamente de suas conchas duras na natureza.

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Vantagens biológicas e desafios da reintrodução

O tubarão – leopardo possui uma característica reprodutiva favorável à criação captiva: ele não dá à luz filhotes vivos; as fêmeas depositam ovos. Essa particularidade o coloca entre alguns dos maiores predadores do Indo –Pacífico a se reproduzirem dessa maneira em geral. Segundo David Ebert, pesquisador ligado à Universidade Estadual de San Jose, essa capacidade pode tornar Stegostoma tigrinum particularmente adequado para um programa ambicioso como este que visa sua recuperação.

Apesar das vantagens biológicas e por serem considerados inofensivos aos seres humanos na maioria das circunstâncias, suas populações sofreram uma queda drástica nas últimas décadas passadas. As estimativas da União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN) apontam que houve perdas entre 50% e até 79% dos indivíduos ao longo apenas das três gerações mais recentes — período equivalente a cerca de cinquenta e sete anos ou setenta e dois anos.

Essa redução acentuada coloca o tubarão – leopardo em situação crítica no ecossistema.

Monitoramento pós – soltura: A jornada rumo à maturidade

Os filhotes não são liberados imediatamente após atingirem um certo tamanho; eles permanecem nos berçários controlados do programa aquático somente quando chegam perto de um metro de comprimento, demonstrando autonomia para buscar alimento por conta própria.

Antes da soltura final nas áreas protegidas, os animais recebem identificações específicas que permitirão aos pesquisadores acompanhá – los posteriormente na natureza. As liberações acontecem dentro das regiões já consideradas santuário ou altamente preservadas.

Por exemplo, Raja Ampat abriga em suas águas protetoras aproximadamente 46 mil quilômetros quadrados dedicados a tubarões e raias – manta.

A equipe utiliza dados avançados coletados via satélite justamente para acompanhar o deslocamento dos recém – libertados exemplares após saírem do controle humano de monitoração inicial. A ReShark informa ainda que esses filhotes sob observação permanecem uma média entre cento e quinhentos quilômetros da área exata onde foram soltos.

No entanto, os pesquisadores alertam sobre grandes desafios futuros: é prematuro determinar se esta estratégia terá um impacto positivo na população geral em longo prazo. Um ponto central permanece sendo saber caso estes animais criados no cativeiro conseguirão sobreviver tempo suficiente até atingirem a idade reprodutiva.

Os tubarões podem levar cinco anos ou mais para alcançar o estado adulto sexualmente maduros; por isso, será fundamental começar verificar sinais de reprodução nos primeiros exemplares libertados já partir do ano 2028. Além disso, mesmo que as áreas sejam protegidas e haja envolvimento das comunidades locais com práticas sustentáveis como pesca artesanal responsável — algo buscado pelo programa —, os indivíduos ainda correm risco de se deslocarem sobre regiões onde atividades pesqueiras continuam ocorrendo na prática.

Apesar desses desafios complexos, em um sinal inicial positivo registrado neste ano no local da Indonésia, foram avistadas quinze tubarões – leopardo saudáveis somente dentro dos limites de Raja Ampat.

Autor(a):

Com uma carreira que começou como stylist, Sofia Martins traz uma perspectiva única para a cobertura de moda. Seus textos combinam análise de tendências, dicas práticas e reflexões sobre a relação entre estilo e sociedade contemporânea.

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