Relatório de inteligência da PF aponta que Mendonça sabia que busca alcançaria Moraes
Documento tem confiança moderada, não possui valor probatório e não atribui ilícitos a Mendonça ou Moraes, segundo ressalvas da própria PF.
Um relatório de inteligência da PF (Polícia Federal) afirma que o ministro André Mendonça, relator do caso Master no STF (Supremo Tribunal Federal), tinha conhecimento de que o ministro Alexandre de Moraes seria alcançado por uma busca determinada no inquérito sobre a fraude bilionária financeira.
O documento foi obtido pela CNN Brasil e aponta que Mendonça poderia desconhecer somente a dimensão do material localizado. A PF, porém, faz ressalvas sobre o conteúdo: o relatório não tem valor probatório, não atribui ilícito a magistrados e apresenta as conclusões com grau de confiança moderado.
O que consta no relatório da PF
Embora o nome de Moraes não aparecesse de forma expressa no trecho utilizado para embasar a decisão, Mendonça já teria perguntado sobre o colega em reuniões anteriores. A informação estaria relacionada aos dados extraídos do aparelho celular de Daniel Bueno Vorcaro.
“O relator indagou expressamente sobre o que constava, quanto àquele ministro, nos dados extraídos do aparelho celular de Daniel Bueno Vorcaro”, registra o documento.
Na sequência, a PF avaliou que Mendonça provavelmente sabia que Moraes seria incluído na medida, ainda que não conhecesse a extensão do material que seria alcançado. “Avalia – se, com confiança moderada, que o relator já tinha conhecimento de que aquele ator seria alcançado pela pesquisa determinada, podendo desconhecer apenas a extensão do alcance”, diz o relatório.
Decisão de 24 de agosto e limites da apuração
Na decisão de 24 de agosto, Mendonça estabeleceu prazo de 72 horas para que a PF identificasse as pessoas citadas em determinadas mensagens. Também determinou o fornecimento de “a íntegra de todas as mensagens e interações existentes” relacionadas aos nomes encontrados.
Para os investigadores, a ordem não se limitou à identificação dos envolvidos. “Isso não é identificação: ”, afirma o relatório ao analisar o alcance da determinação.
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O documento sustenta ainda que uma eventual apuração envolvendo Moraes deveria ser analisada pelo plenário do STF, e não ficar sob a relatoria de Mendonça.
A PF afirma não saber como o ministro teria obtido conhecimento antecipado do conteúdo. Entre as possibilidades, o relatório não descarta que a informação tenha sido levada ao gabinete por um integrante da equipe de investigação, “fora dos autos e sem conhecimento dos demais”.
Essa hipótese recebeu grau de confiança baixo, enquanto a avaliação geral do relatório foi classificada como de confiança moderada.