Raízen apresenta plano de recuperação extrajudicial com dívidas de R$ 98,6 bilhões

Raízen apresenta plano de recuperação extrajudicial de R$ 98,6 bilhões
O Grupo Raízen, uma das maiores empresas do Brasil em receita líquida, apresentou um plano de recuperação extrajudicial com passivo total de R$ 98,6 bilhões. Segundo a empresa, este montante inclui R$ 65,14 bilhões em créditos que estão sendo renegociados e R$ 33,49 bilhões em dívidas entre as empresas que compõem o grupo.
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O pedido teve o processamento aceito pela 3ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais do Foro Central de São Paulo na quinta-feira (12).
Suspensão de ações
A decisão judicial, proferida pelo juiz Guilherme Cavalcanti Lamego, determinou a suspensão de ações e execuções contra a Raízen por um período de 180 dias, conhecido como “stay period”. O objetivo principal é garantir a estabilidade durante as negociações com os credores, permitindo que a empresa busque um acordo que minimize os impactos financeiros.
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A Raízen busca renegociar sua dívida, que foi agravada por fatores como a manutenção da taxa Selic em patamares elevados – atingindo 15% ao ano em 2026 – e eventos climáticos severos, como a redução de chuvas e queimadas, que impactaram a produção agrícola e a consequente queda nos resultados operacionais.
Adesão de credores
Um ponto positivo para a Raízen é a adesão de credores que detêm 47,2% da dívida sujeita ao plano de recuperação. Esse percentual é superior ao mínimo de 1/3 exigido pela Lei de Falências e Recuperação de Empresas (LFR) para que o processo avance.
A empresa tem 90 dias para obter a adesão expressa da maioria dos credores ao plano atualizado.
Para auxiliar no processo, o juiz nomeou Lorival Nogueira Luz Junior como representante estrangeiro do grupo, responsável por atuar em processos internacionais, como o Chapter 15 nos Estados Unidos, onde a empresa possui ativos e dívidas. O Chapter 15 é um mecanismo que permite reconhecer em outro país o processo de reestruturação aberto no Brasil.
Impacto e estratégia
O Grupo Raízen declara que suas operações são sustentáveis e viáveis, com R$ 17,3 bilhões em caixa registrados em dezembro de 2025. O plano de recuperação inclui a possibilidade de emissão de novas dívidas, capitalização com conversão de créditos em ações e reorganizações societárias.
A empresa busca manter a estabilidade das atividades operacionais, que empregam diretamente mais de 34.000 colaboradores.
A advogada Grasiele Roque da Silva, do escritório Benício Advogados, avalia que a decisão da 3ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo inaugura um capítulo inédito nas reestruturações empresariais do país.
Ela ressalta a magnitude financeira e a estrutura adotada, indicando que o caso pode se consolidar como o maior já submetido ao Judiciário brasileiro, com potencial para se tornar um divisor de águas na forma como grandes companhias abrem reorganizações de suas dívidas.
Segundo a empresa, a recuperação extrajudicial dá segurança jurídica às negociações, evita ataques imediatos ao patrimônio do grupo e preserva mais de 34 mil empregos diretos.
A empresa gerou mais de R$ 255 bilhões de receita operacional líquida na safra 2024/2025, demonstrando uma estrutura empresarial robusta e viável para a recuperação.
Atualização em 30/10/2026: o texto foi corrigido.
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