Rahul Gandhi lidera ato em Nova Délhi e pede saída de Gyanesh Kumar da Comissão Eleitoral da Índia

Oposição acusa revisão das listas de eleitores de favorecer o BJP de Modi; mais de 130 milhões de nomes saíram do cadastro antes da eleição de 2029.

3 min

Manifestantes expressam apoio a movimento contra governo de Narendra Modi na Índia | Reprodução vídeo / X / Partido Popular das Baratas

Milhares de pessoas foram às ruas no domingo (01/11) em Nova Délhi, capital da Índia, para pedir a renúncia de Gyanesh Kumar, presidente da Comissão Eleitoral do país. O ato foi convocado por partidos de oposição e contou com a presença de Rahul Gandhi, líder do Partido do Congresso.

Gandhi acusa a autoridade eleitoral de tocar uma revisão das listas de eleitores que beneficia o Partido do Povo Indiano (Bharatiya Janata Party, BJP), legenda do primeiro-ministro Narendra Modi. A próxima eleição parlamentar nacional está prevista para 2029.

Gandhi fala em “roubo da voz” e promete ação legal

“Esse roubo de votos não é um roubo qualquer. É o roubo da voz de cada indiano. Isso se chama traição”, disse Gandhi à agência ANI. Para ele, afastar Gyanesh Kumar da Comissão Eleitoral seria o primeiro passo para devolver o país ao rumo certo.

Ao se referir ao governo Modi, o líder foi além: “Depois de Gyanesh Kumar, iremos atrás de vocês. Haverá medidas legais. Vocês não poderão fugir”. Até o momento, porém, o primeiro-ministro não se manifestou publicamente sobre os protestos nem sobre as falas de Gandhi.

No local, centenas de policiais foram posicionados com cassetetes e escudos, além de veículos de controle de distúrbios. As autoridades mudaram o trânsito para permitir uma marcha de aproximadamente 1,5 quilômetro até o espaço público de Ramlila Maidan, onde a concentração aconteceu.

Os manifestantes levavam bandeiras da Índia e de partidos políticos. Lideranças da oposição acompanharam o percurso em um veículo aberto. A mobilização foi organizada pelo bloco oposicionista INDIA, que reúne legendas contrárias ao governo Modi.

Exclusão de mais de 130 milhões de eleitores motiva protesto

O estopim dos protestos é a revisão dos registros eleitorais, iniciada no ano passado. Segundo agências internacionais de notícias, mais de 130 milhões de nomes saíram das listas.

Leia também

Do total excluído, cerca de 28 milhões eram de pessoas mortas, 63 milhões de eleitores que se mudaram e 30 milhões de pessoas que não foram encontradas. Os partidos de oposição dizem que o processo pesou de forma desproporcional sobre eleitores muçulmanos e de outras minorias religiosas e sociais, que, segundo eles, tendem menos a votar no BJP.

A oposição também questiona os critérios usados para retirar eleitores e os procedimentos de recadastramento. Organizações estudantis e o movimento juvenil Partido Popular das Baratas (Cockroach Janta Party) participaram do ato de domingo. Nas semanas anteriores, manifestações desse grupo foram alvo de operações policiais, com detenções de milhares de pessoas em Nova Délhi.

Os protestos contra Kumar começaram no fim de setembro e ganharam força depois que o jornal The Indian Express revelou questionamentos internos de dois vice-presidentes da Comissão Eleitoral. Eles levantaram dúvidas sobre as mudanças nas listas, os procedimentos de cadastramento e os sistemas digitais da instituição.

Comissão nega favorecimento e BJP rebate oposição

Em nota pública, a Comissão Eleitoral negou qualquer favorecimento político. Segundo o órgão, a revisão serve para eliminar registros duplicados e inscrições de pessoas que não cumprem os critérios eleitorais. Quem teve o nome retirado indevidamente, afirma a comissão, pode pedir novo cadastramento.

O BJP acusa os partidos da oposição de pôr em dúvida procedimentos eleitorais legítimos. O ministro da Saúde da Índia, Jagat Prakash Nadda, classificou o protesto como uma “encenação cuidadosamente orquestrada”. Em declaração à agência ANI, disse que a manifestação buscava levar o país à anarquia com o argumento de defender a democracia.

A Redação Política reúne a cobertura do Clique Fatos sobre governo, Congresso, eleições e Justiça. As matérias são produzidas com apoio de inteligência artificial a partir de agências e veículos citados no texto. Encontrou um erro? Escreva para contato@cliquefatos.com.br.