Raffensperger, que disse não a Trump em 2020: “Nossa eleição é a mais segura dos EUA”

Com temor de que Trump rejeite uma eventual derrota nas eleições de 3 de novembro, a Geórgia, que ele perdeu por 11,8 mil votos em 2020, vira foco de tensão.

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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, durante aparição conjunta com o vice-presidente JD Vance (não aparece na imagem) no Salão Oval da Casa Branca, em Washington, para anunciar um programa de proteção a denunciantes destinado a incentivar relatos de supostas fraudes, em 20 de outubro de 2026 | Foto: Kevin Lamarque/Reuters
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, durante aparição ...
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Os norte-americanos vão às urnas na terça-feira, 3, em milhares de eleições locais e estaduais. Além disso, escolhem integrantes da Câmara dos Deputados e pouco mais de um terço do Senado. O maior temor é que o presidente Trump e a ala mais radical de seu governo repitam o gesto de rejeitar o resultado final caso sofram uma derrota.

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O Estado da Geórgia acompanha o cenário com atenção. Em 2020, Trump perdeu ali por apenas 11 mil votos, e a disputa ganhou contornos dramáticos depois que o presidente pressionou funcionários estaduais para reverter o resultado. Ele segue questionando aquela eleição até hoje.

Secretário da Geórgia recusou pedido de Trump em 2020

Nos EUA, cada Estado conduz as próprias eleições por meio do secretário de Estado. O nome mais conhecido é o do republicano Brad Raffensperger. Em 2020, Trump ligou para ele pedindo os 11,8 mil votos que o colocariam à frente do democrata Joe Biden na Geórgia.

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Raffensperger disse não.

Desde então, ele virou uma espécie de pária dentro do Partido Republicano. Foi chamado de “Judas” e passou a receber ameaças de morte.

Em entrevista ao Estadão, Raffensperger defendeu a lisura do processo eleitoral no Estado e classificou os aliados mais radicais do presidente como “desinformados”. “Adotamos medidas rigorosas, como a exigência de documento de identificação com foto, verificação de cidadania e o uso de cédulas em papel. Nossa eleição é a mais segura dos EUA”, afirmou.

Democratas temem contestação após a votação

Os democratas temem que Trump volte a usar os velhos argumentos sobre o processo eleitoral para contestar os resultados. O presidente tem baixa popularidade, em meio a uma crise de custo de vida e à alta dos preços da gasolina. O Partido Republicano deve perder o controle da Câmara e disputa o Senado sem favoritismo claro.

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“De todos os Estados-chave que ele perdeu em 2020, a Geórgia é o que mais incomoda Trump”, disse Charles Bullock, professor de ciências políticas da Universidade da Geórgia. “Ele pode tentar alguma coisa, mas as autoridades da Geórgia estão prontas para responder aos questionamentos.”

Em Ohio, o secretário republicano Frank LaRose concordou em fornecer dados dos cidadãos ao governo federal. A medida foi criticada pela democrata Allison Russo, para quem o cargo de secretário de Estado ficou mais importante do que nunca. “É preciso resistir contra esse abuso de poder e combater as informações falsas sobre nossas eleições.”

Trump pode recorrer a medidas federais, dizem especialistas

O temor de agentes eleitorais é que Trump repita o que foi feito em janeiro, quando autoridades federais apreenderam cédulas eleitorais no condado de Fulton, na Geórgia, por causa de uma acusação criminal ligada à eleição presidencial de 2020.

Ele também poderia alegar interferência estrangeira para apreender urnas eletrônicas. Em um discurso em julho, o republicano questionou a segurança eleitoral e citou essa possibilidade.

Democratas como Allison Russo temem ainda que Trump use um programa antigo do Departamento de Justiça, que prevê o envio de observadores federais aos locais de votação. Trump também não descartou invocar a Lei de Insurreição para mobilizar as forças armadas nas eleições de meio de mandato, proposta apoiada por membros da ala mais radical do Partido Republicano.

Uma pesquisa do Washington Post, feita em parceria com o Instituto Ipsos e a emissora ABC News, mostra que sete em cada dez americanos acreditam que Trump não vai reconhecer o resultado das eleições.

Para Richard Hasen, professor de Direito Constitucional da Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA), o presidente deve contestar os resultados caso a disputa seja apertada. “Ele pode contestar os resultados e, talvez, tentar utilizar o Departamento de Justiça para interferir na contagem estadual dos votos e na certificação dos resultados”, disse o professor, em entrevista ao Estadão.

Segundo Hasen, o voto por correio, que sempre foi alvo de críticas de Trump, pode ser usado para alegar fraude. “Ele vai tentar deslegitimar qualquer vitória democrata. Nada que a Suprema Corte faça impedirá Trump de fazer isso.”

A Redação Política reúne a cobertura do Clique Fatos sobre governo, Congresso, eleições e Justiça. As matérias são produzidas com apoio de inteligência artificial a partir de agências e veículos citados no texto. Encontrou um erro? Escreva para [email protected].

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