Professora encontra pegadas de T. rex e revela passada inédita de 4 metros

Descoberta foi feita na Dakota do Norte e é a primeira sequência definitiva de pegadas do maior predador terrestre.

Na Formação Hell Creek, em Dakota do Norte, uma vista aérea mostra um pesquisador descobrindo pegadas de Tyrannosaurus rex de 66,5 milhões de anos atrás

Pegadas fossilizadas de um Tyrannosaurus rex encontradas nos Estados Unidos estão ajudando paleontólogos a desvendar detalhes inéditos sobre como o maior predador terrestre que já existiu se locomovia. A descoberta, feita no estado da Dakota do Norte, representa a primeira evidência direta do comprimento da passada de um T. rex.

As quatro pegadas, que formam uma trilha, indicam que o dinossauro caminhava a uma velocidade entre 5,6 e 7 quilômetros por hora (3,5 a 4,5 milhas por hora). Cada passada media cerca de 4 metros (13 pés) de comprimento total. A estimativa foi feita pelo paleontólogo Lyson, que lidera a pesquisa, com base na distância entre as marcas deixadas no solo.

Velocidade de caminhada e condições do terreno

Embora os números ajudem a montar um retrato do animal em movimento, os cientistas ressaltam que a velocidade registrada está longe do que o T. rex poderia atingir. Thomas Holtz Jr., paleontólogo de vertebrados e professor titular do departamento de ciências geológicas, ambientais e planetárias da Universidade de Maryland, em College Park, explicou que as pegadas foram preservadas em solo úmido.

“Os animais se movem mais rápido em solo firme”, disse Holtz, que não participou diretamente do estudo. Isso significa que, em condições normais, o T. rex provavelmente andava muito mais rápido do que as marcas sugerem. Ainda assim, ele considera o achado fundamental para a área.

“O aspecto mais importante é que esta é talvez a primeira sequência definitiva de pegadas de Tyrannosaurus rex“, afirmou Holtz. Até agora, a maioria das descobertas se baseava em pegadas isoladas, que oferecem menos informações sobre o deslocamento e o comportamento do animal.

Múltiplas pegadas e o que elas revelam

O fato de serem quatro marcas em sequência muda o jogo para os pesquisadores. Múltiplas pegadas permitem estimar não apenas a velocidade, mas também o ritmo e a biomecânica do dinossauro. No caso do T. rex, a trilha encontrada na Dakota do Norte fornece a primeira evidência direta do comprimento da passada, um dado que antes era apenas especulado.

O Museu de Natureza e Ciência de Denver já planeja coletar três dessas pegadas para uma análise mais aprofundada. De acordo com Lyson, o objetivo é obter dados sobre tecidos e impressões da pele do animal, o que pode render ainda mais informações sobre sua anatomia.

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A publicação do rastro em um periódico científico abre caminho para que outros especialistas examinem as medidas e tentem reconstruir como o dinossauro se movia. O pesquisador Romilio acrescentou que a divulgação do achado oferece a outros cientistas a oportunidade de analisar os dados e testar novas hipóteses.

Impacto para futuras descobertas

Para Holtz, o efeito mais imediato da descoberta pode ser o incentivo a novas buscas. “Saber que pegadas como essas existem pode ajudar os pesquisadores a encontrar mais no futuro”, disse. O conhecimento de que um T. rex deixou uma trilha tão clara em solo úmido na Dakota do Norte serve como pista para onde outros fósseis semelhantes podem estar escondidos.

A pesquisa ainda está em estágio inicial, mas já começa a preencher lacunas sobre o comportamento do predador mais icônico da pré – história. Cada nova pegada encontrada e analisada pode mudar o que se sabe sobre a velocidade, a postura e até a forma como o T. rex caçava ou se deslocava pelo território.