Premier League, Bundesliga, Série A e LaLiga exigem reformas radicais na Fifa

As quatro maiores ligas europeias pedem limites ao poder de Infantino e separação entre funções regulatórias e comerciais da Fifa.

Gianni Infantino, presidente da Fifa

Em uma ofensiva coordenada contra a gestão de Gianni Infantino, as quatro ligas de futebol mais poderosas da Europa exigiram, nesta sexta – feira (25), reformas profundas na Fifa. Premier League (Inglaterra), Bundesliga (Alemanha), Série A (Itália) e LaLiga (Espanha) assinaram um comunicado conjunto pedindo mais transparência e um equilíbrio de poder na entidade máxima do futebol.

Segundo as ligas, a Fifa precisa de mecanismos de controle e equilíbrio mais rigorosos, limites constitucionais claros e uma separação maior entre suas funções regulatórias e comerciais. A declaração é a primeira resposta conjunta das quatro ligas desde que Infantino recuou do plano de vender parte dos direitos comerciais da Copa do Mundo para investidores privados, o chamado programa Fifa Forward Enterprise, após forte rejeição global.

Ligas criticam modelo de gestão e pedem participação

No comunicado, as entidades afirmam que a Fifa se tornou refém de um “problema fundamental de governança”. Elas alegam que o presidente Infantino promoveu ativamente ideias exploratórias em vez de proteger o esporte contra elas. “Os alicerces de longa data do futebol foram ameaçados”, diz o texto, destacando que as condições que levaram à criação do programa Fifa Forward Enterprise permanecem, mesmo com o recuo na proposta.

As ligas cobram que a entidade dê aos intervenientes afetados um papel real na tomada de decisões. Elas defendem a criação de um organismo permanente que represente federações nacionais, ligas, clubes e jogadores do futebol masculino e feminino.

Também pedem que a tomada de decisões seja baseada em evidências e que o papel regulador da federação seja protegido de sua função comercial.

“O problema de governança da Fifa vai muito além do papel de um único indivíduo”, afirmam as ligas. “A questão mais ampla é se o presidente deveria exercer simultaneamente tamanho poder regulatório, comercial e político sem mecanismos eficazes de controle e equilíbrio.”

Infantino propõe revisão, mas ligas veem insuficiência

Na tentativa de conter a crise, Infantino enviou uma carta ao Conselho da Fifa e aos presidentes das 211 associações – membro no início da semana. Ele propôs que o Conselho considerasse encomendar uma revisão externa independente da estrutura de governança para grandes iniciativas estratégicas.

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Também sugeriu consultas com confederações e associações para fortalecer a tomada de decisões, reafirmando seu compromisso com a liderança da federação.

Para as ligas europeias, porém, a proposta soa superficial. “Não basta explorar mudanças superficiais nos processos após o caso FFE – uma reforma fundamental da governança é essencial”, rebateram, exigindo limites constitucionais claros e garantias de que questões disciplinares fiquem protegidas de interferência política.

A pressão sobre Infantino se intensificou nos últimos dias. Diversas federações europeias rejeitaram prontamente a proposta de venda de até 20% dos direitos comerciais da Fifa, incluindo os relacionados à Copa do Mundo. O projeto foi abandonado em julho após oposição da Uefa, da Confederação Asiática de Futebol e da Concacaf.

O presidente da Uefa, Aleksander Ceferin, emitiu uma avaliação severa na quarta – feira, sem citar Infantino pelo nome, mas em clara referência ao plano de venda para investidores privados.

Relações deterioradas e pressão sobre jogadores

As relações entre a Fifa e as principais ligas europeias vêm se deteriorando há anos, principalmente por causa da expansão das competições internacionais. Clubes e ligas nacionais reclamam que o número crescente de eventos organizados pela Fifa sobrecarrega os jogadores e diminui o valor das competições nacionais.

As ligas lembram que, há mais de uma década, após processos criminais envolvendo altos dirigentes do futebol, a própria Fifa passou por reformas para abordar essas questões. “No entanto, mais uma vez, o futebol sofreu um dos maiores abusos de poder da história da federação”, conclui o comunicado.

A Fifa foi procurada para comentar as críticas, mas ainda não se manifestou.