Preços do arroz caem 4,5% e saca de 50 quilos é negociada a R 59,80 em junho

A queda nos preços do arroz reflete a finalização da safra 2025/26 e a divergência nas estratégias de venda entre os produtores.

Arroz em casca

Os preços do arroz registraram uma nova queda no mercado interno. Em 24 de junho, a saca de 50 quilos estava sendo negociada a R 59,80, uma redução de 4,5% nos últimos dois meses, conforme dados do Cepea. Com a colheita da safra 2025/26 praticamente finalizada, o setor começa a focar na comercialização do produto.

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O relatório Agro Mensal da Consultoria Agro do Itaú BBA aponta que as atitudes dos produtores estão divergentes. Enquanto alguns permanecem cautelosos nas vendas devido aos preços considerados insuficientes para cobrir os custos de produção, outros aumentaram a oferta impulsionados pela necessidade de capital e cumprimento de obrigações financeiras.

Movimento da Indústria e Estoques

No lado da indústria, o cenário é de prudência, com compras esporádicas e baixo interesse em acumular estoques. Essa postura reflete a desaceleração nas vendas de arroz beneficiado no varejo. Por outro lado, os estoques mais baixos em alguns segmentos da cadeia geram expectativas sobre uma possível retomada nas compras para reposição.

A oferta disponível foi impactada por operações realizadas entre maio e o início de junho através dos mecanismos de PEP e PEPRO. Essas ações ajudaram no escoamento do excedente, mas ainda não foram suficientes para equilibrar um mercado que enfrenta pressão devido à sobreoferta.

Exportações e Colheita

No que diz respeito ao comércio exterior, as exportações começaram a se recuperar após uma queda acentuada em abril. Em maio, os embarques totalizaram 141 mil toneladas, superando os números de 2025, mas ainda abaixo da média dos últimos cinco anos.

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O início de junho também apresentou bons volumes, favorecidos pela valorização do dólar.

A colheita da safra brasileira de arroz 2025/26 está quase completa, confirmando as previsões do setor. Apesar dos ganhos em produtividade, a produção nacional deve cair em relação ao ciclo anterior devido à diminuição da área plantada. Dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) mostram que até maio aproximadamente 94,6% da área semeada já havia sido colhida.

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Desafios e Projeções

A produção brasileira de arroz foi estimada em cerca de 11,1 milhões de toneladas na safra 2025/26, volume inferior ao do ciclo passado. A Conab atribui essa queda principalmente à retração de 13,7% na área cultivada após uma temporada marcada por elevada oferta e pressão nos preços recebidos pelos produtores.

Apesar disso, a produtividade média apresentou um avanço significativo. As estimativas atuais indicam um rendimento médio de 7.281 quilos por hectare, resultado das condições climáticas favoráveis em regiões produtoras importantes e do aumento no uso de tecnologias agrícolas.

A decisão dos agricultores de reduzir o plantio já era esperada desde o início do ciclo agrícola. Projeções feitas durante o período de semeadura mostravam que muitos optariam por destinar áreas para culturas consideradas mais lucrativas devido às condições atuais do mercado.

Mesmo com essa diminuição na produção, a Conab acredita que não há risco iminente de desabastecimento no mercado interno. Os estoques acumulados nos últimos ciclos e os níveis elevados de produtividade nesta safra devem assegurar o abastecimento doméstico ao longo do ano.

O desempenho do arroz contrasta com as previsões gerais para a agricultura brasileira. Para a safra de grãos 2025/26, a Conab projeta um novo recorde nacional na produção total, impulsionada principalmente pelos resultados positivos na soja e no milho.