Preços do açúcar caem no mercado paulista enquanto etanol valoriza pela segunda semana consecutiva

A queda nos preços do açúcar no mercado paulista reflete a baixa liquidez e a cautela dos compradores

Colheita de cana em Piracicaba

Os preços do açúcar cristal branco seguem uma trajetória de queda no mercado paulista, que é o principal centro produtor do Brasil. Essa diminuição ocorre em um contexto de baixa liquidez e compradores cautelosos. Em contrapartida, os valores do etanol anidro e hidratado experimentaram uma valorização pela segunda semana consecutiva.

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A expectativa em relação à votação programada para esta quarta-feira (24) no Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), que discutirá o aumento da mistura obrigatória de etanol anidro na gasolina para 32% (E32), tem incentivado as negociações relacionadas a esse biocombustível, conforme análise do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea).

Açúcar: Desafios nas Colheitas

Recentes chuvas impactaram negativamente a colheita e a moagem da cana-de-açúcar em diversas regiões produtoras, segundo um relatório divulgado pelo Cepea nesta terça-feira (23). Apesar desse cenário adverso, a quantidade de açúcar disponível no mercado continua sendo suficiente para exercer pressão sobre os preços, mantendo-os em baixa.

A cautela dos compradores é outro fator que tem contribuído para a redução das atividades de negociação.

Dados recentes do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) indicam que a produção de açúcar na região Centro-Sul caiu 25% na segunda quinzena de maio em comparação ao mesmo período do ano anterior, totalizando 2,19 milhões de toneladas. O Cepea explica que essa queda na produção é resultado das chuvas acima da média em áreas de São Paulo e Mato Grosso do Sul, além do aumento da destinação da matéria-prima para a fabricação de etanol.

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Mercado de Etanol: Valorização e Demandas Regionais

No setor de biocombustíveis, os preços do etanol hidratado e anidro continuam firmes. Pesquisa realizada pelo Cepea revela que os vendedores têm demonstrado maior segurança nas transações, especialmente em algumas unidades produtivas até o meio da semana passada.

Com relação à demanda, houve um aumento significativo no consumo de etanol hidratado nos estados de Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. Por outro lado, em São Paulo, a demanda se manteve estável nas últimas duas semanas.

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Apesar desse ambiente favorável para o etanol, as distribuidoras permanecem prudentes diante da robustez da produção e dos estoques elevados em comparação ao mesmo período da safra anterior. Essa postura reflete a preocupação com o equilíbrio entre oferta e demanda no mercado, além das incertezas relativas às futuras diretrizes políticas sobre a mistura de etanol na gasolina.

As dinâmicas atuais mostram como fatores climáticos e decisões políticas afetam diretamente o mercado agrícola brasileiro, moldando as expectativas dos produtores e consumidores. O acompanhamento dessas questões se torna essencial para entender os próximos passos tanto na produção de açúcar quanto no setor de biocombustíveis.