Escassez de gado deve sustentar preços do boi gordo no segundo semestre de 2026, aponta StoneX

A escassez de gado pode alterar a dinâmica do mercado pecuário, influenciando os preços do boi gordo e a negociação entre pecuaristas e indústrias.

07/08/2026 21:21

4 min

@SERAPIOFILMS-08161
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A escassez de gado deve ser um dos principais fatores que sustentará os preços do boi gordo no segundo semestre de 2026, em meio a uma transição no ciclo pecuário brasileiro e à diminuição do ritmo de abates. Essa análise é da StoneX, que acredita que a oferta restrita de animais pode limitar os efeitos da queda na demanda externa sobre os preços.

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Após um primeiro trimestre com abates acelerados, a disponibilidade de gado começou a diminuir no segundo trimestre, um movimento que se intensificou em julho e já impactou os preços tanto no mercado físico quanto na formação dos contratos futuros.

Com menos animais disponíveis, os pecuaristas recuperaram poder de negociação, revertendo um cenário anterior em que a indústria tinha maior influência sobre os preços. Essa mudança ocorre durante o chamado “ciclo de baixa”, caracterizado pela redução da oferta após um período de maior disponibilidade.

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A consultoria destaca que essa menor oferta eleva o custo da matéria – prima, ao mesmo tempo em que o setor enfrenta desafios para escoar a carne em um ambiente com mudanças na demanda externa.

Dinâmica do mercado e expectativas

O mercado interno continua firme, e novos destinos podem ganhar importância. Contudo, a redução nas exportações para alguns mercados relevantes poderá aumentar a necessidade de redirecionamento da produção. A StoneX prevê que agosto, setembro e outubro concentrarão ajustes significativos no mercado.

A expectativa é que a limitação na quantidade de animais disponíveis continue apoiando as cotações, enquanto a indústria busca alternativas para absorver a produção de carne.

A dinâmica deste ano pode alterar o comportamento tradicional do mercado no segundo semestre. Historicamente, entre julho e outubro há uma maior participação do gado de confinamento; porém, neste ano, o foco se volta mais para a disponibilidade de gado na formação dos preços.

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Nesse contexto, as exportações permanecerão relevantes, mas não serão o único fator determinante para as cotações nos próximos meses.

Impacto nas exportações para a China

Além da escassez de gado, o Brasil enfrentará uma significativa redução nas exportações de carne bovina para a China nos próximos meses. Em julho, o país embarcou cerca de 83 mil toneladas para o mercado chinês, uma queda alarmante de 48% em relação a junho e uma retração similar em comparação com julho de 2025.

O volume acumulado entre novembro de 2025 e julho de 2026 alcançou 1,172 milhão de toneladas, superando a cota estabelecida pela China em 1,106 milhão de toneladas.

Vale destacar que parte das exportações realizadas em julho ainda é considerada residual, originada por negócios fechados antes do esgotamento da cota. A China representou aproximadamente 36% das exportações brasileiras em julho, enquanto entre janeiro e junho esse número era cerca de 50%.

No total, o Brasil exportou 228 mil toneladas no mês passado, com uma redução de 18% comparado ao mês anterior.

Preparação para retomada das exportações

A expectativa é que os efeitos dessa diminuição se tornem mais evidentes entre agosto e outubro, quando os embarques para a China poderão se aproximar do mínimo permitido. A recuperação deve acontecer apenas em novembro, quando novos embarques começarão a ser contabilizados na cota referente ao ano seguinte.

Como o processo de internalização da carne na China leva entre 45 e 60 dias, a indústria deve se preparar antecipadamente para essa retomada já em outubro.

A StoneX acredita que as experiências adquiridas durante 2026 podem alterar as estratégias do setor nos anos seguintes. A antecipação dos embarques para atender à cota deverá se consolidar como tendência futura e pode influenciar tanto a sazonalidade das exportações quanto a disponibilidade interna da carne no Brasil e sua formação de preços.

Assim sendo, mesmo com os desafios impostos pela queda nas exportações para a China, a menor disponibilidade de gado pode amenizar o impacto negativo sobre as cotações do boi gordo.

Autor(a):

Ex-jogador de futebol profissional, Pedro Santana trocou os campos pela redação. Hoje, ele escreve análises detalhadas e bastidores de esportes, com um olhar único de quem já viveu o outro lado. Seus textos envolvem os leitores e criam discussões apaixonadas entre fãs.

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