Preço de medicamentos para hospitais sobe 0,12% em fevereiro após nove meses de queda

Em 12 meses, o índice da Fipe e da Bionexo ainda acumula recuo de 1,96%.

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Foto: Reprodução
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Alta nos preços de medicamentos em fevereiro

Os preços de medicamentos negociados entre fornecedores e hospitais no Brasil registraram um aumento de 0,12% em fevereiro, conforme levantamento realizado pela Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas) e pela Bionexo. O IPM-H (Índice de Preços de Medicamentos para Hospitais) indica que essa alta interrompe uma sequência de nove meses consecutivos de queda.

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Apesar do avanço, a variação ainda é moderada, já que no acumulado de 12 meses até fevereiro, o indicador apresenta uma retração de 1,96%, com diminuição em nove dos doze grupos terapêuticos monitorados. No primeiro bimestre de 2026, o índice acumula uma queda de 0,58%.

Bruno Oliva, economista e pesquisador da Fipe, destaca que esse resultado representa um ponto de inflexão, mas não altera o cenário de acomodação dos preços. “A apuração de fevereiro marcou o retorno do IPM-H ao campo positivo, com variação muito próxima à média histórica para o mês.

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O resultado interrompe nove meses de queda, mas ainda não muda o quadro de acomodação dos preços de medicamentos hospitalares em 12 meses, que continuam sendo influenciados principalmente pela taxa de câmbio”, afirma.

Pressão sobre as cadeias de insumos

A reversão nos preços ocorre em um contexto de pressão sobre as cadeias globais de insumos farmacêuticos. O conflito no Oriente Médio e o fechamento do Estreito de Ormuz aumentam a incerteza quanto ao abastecimento de matérias-primas, uma vez que grande parte da indústria farmoquímica da Índia e da China, que são os principais fornecedores do Brasil, depende do petróleo transportado pela região.

Larissa Gomes, gerente de projetos e marketing da Abimo (Associação Brasileira da Indústria de Dispositivos Médicos), ressalta que o Oriente Médio representa cerca de 3,11% das exportações brasileiras de dispositivos médicos.

Impactos nos custos de produção

Durante um evento no Rio de Janeiro, Fernanda de Negri, secretária de Ciência, Tecnologia e Inovação em Saúde do Ministério da Saúde, comentou sobre os possíveis impactos. “Pode haver algum efeito em termos de custo de produção e logísticos, mas, por enquanto, não temos um alerta de que haverá falta de medicamentos”, afirmou a secretária.

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Solange Plebani, CEO da Bionexo, destacou que o principal efeito no curto prazo não é a falta de produtos, mas a perda de previsibilidade na cadeia. Hospitais e distribuidores já estão enfrentando maior pressão nas renegociações e na inclusão de custos adicionais nos contratos. “O impacto é econômico antes de ser físico: primeiro vem o aumento de custo e a volatilidade, e depois, eventualmente, pode haver impacto na disponibilidade”, explicou.

Dependência de insumos importados

Os medicamentos mais sensíveis a essas oscilações são aqueles de alto volume e uso contínuo, como antibióticos, analgésicos e insumos de UTI, cuja produção depende fortemente de cadeias globais. A dependência externa é significativa: entre 90% e 95% dos IFAs (Insumos Farmacêuticos Ativos) consumidos na América Latina são importados.

Herbert Cepêra, diretor executivo da Bionexo, enfatiza que o monitoramento sistemático do índice é crucial para antecipar movimentos antes que se tornem mais amplos no mercado.

Desde o início da série histórica do IPM-H, em 2015, o índice acumula uma alta de 45,5%, refletindo uma pressão estrutural sobre os custos do setor que precede o atual conflito.

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