Preço de commodities agrícolas sobe 13% com bloqueio em Ormuz
Falta de acordo sobre fertilizantes em Ormuz pode causar crise de segurança alimentar na Ásia e na África.
O bloqueio parcial no Estreito de Ormuz já começa a afetar a produção agrícola global, com risco de queda na produtividade das fazendas e alta nos preços dos alimentos. O alerta foi feito na quinta-feira (15) pelo presidente do FIDA (Fundo Internacional para o Desenvolvimento Agrícola), Álvaro Lario.
Segundo Lario, os efeitos da interrupção da navegação no estreito estão se tornando visíveis nas colheitas. Ele citou o aumento dos custos de combustível e transporte, as quebras de produtividade agravadas pelo El Niño e as interrupções no fornecimento de trigo do Mar Negro como fatores que elevam os custos em toda a cadeia de abastecimento alimentar.
Estoque de fertilizantes já não segura impacto
Lario afirmou que os estoques existentes de fertilizantes e combustíveis inicialmente amorteceram o impacto, mas a incerteza prolongada levou os produtores a um plantio mais cauteloso e à redução do uso de fertilizantes. Os custos mais altos de combustível também estão afetando a colheita mecanizada.
O Irã tem reforçado o controle sobre o Estreito de Ormuz, usando o ponto estratégico para pressionar Washington, que intensificou o bloqueio naval aos portos iranianos. A falta de um acordo entre os dois países, dentro de algumas semanas, sobre um plano apoiado pela ONU para o transporte de fertilizantes pelo estreito pode causar uma crise de segurança alimentar em partes da Ásia e da África, disse à Reuters um funcionário responsável pelo projeto.
Preço das commodities subiu 13% no terceiro trimestre
De acordo com Lario, os preços das commodities agrícolas subiram 13% no terceiro trimestre, com novas altas previstas para o quarto trimestre deste ano e o primeiro trimestre do próximo ano. Ele destacou que países que dependem de importações de fertilizantes, combustíveis e alimentos são particularmente vulneráveis.
O presidente do FIDA citou a dependência do Sudeste Asiático em relação aos combustíveis e a dependência da região do Golfo em relação às importações de alimentos. A incerteza atual, segundo ele, pode levar pequenos agricultores a abandonar culturas de maior valor agregado, que demoram mais para gerar renda, e optar por culturas que proporcionam fluxo de caixa mais rápido.