Em Lisboa, polícia retira 50 barracas do Rossio após marcha contra projeto que facilita despejos
A polícia portuguesa desmontou neste domingo (1º) o acampamento de barracas montado na Praça do Rossio, em Lisboa, depois de uma marcha que reuniu milhares de pessoas contra um projeto de lei sobre aluguéis. Os manifestantes pedem que o governo minoritário de centro-direita retire a proposta, que, na visão deles, agravaria a crise habitacional do país.
Os manifestantes montaram mais de 50 barracas na praça depois da caminhada pelo centro de Lisboa no sábado (31). Por volta das 4h30 (1h30 no horário de Brasília), dezenas de policiais, alguns com cães, avançaram sobre o local.
Polícia cumpre ordem após três avisos
Antes da ação, o comandante policial Iuri Rodrigues alertou três vezes que as barracas montadas ilegalmente seriam retiradas caso permanecessem no local. Ele também avisou que quem resistisse poderia responder por desobediência.
Mesmo assim, centenas de manifestantes que protegiam o acampamento foram dispersados. Os policiais usaram escudos e fizeram algumas investidas com cassetetes. Na mesma madrugada, a polícia também desmontou um acampamento semelhante, porém menor, na Praça Dom João I, no Porto.
Mais cedo, o deputado socialista Pedro Delgado Alves disse que a Praça do Rossio estava tranquila e que nada justificava “uma intervenção policial com uso de força, violência física ou investidas com cassetetes, o tipo de cenas que testemunhamos na semana passada”.
Uma semana antes, a polícia já havia sido criticada por avançar com cassetetes e prender dezenas de pessoas na retirada de acampamentos nas mesmas praças.
Projeto que facilita despejos segue em debate
Os manifestantes querem que o governo tire de pauta um projeto que facilita despejos e acaba com os limites aos aluguéis de novos contratos. A proposta foi aprovada em uma primeira votação no Parlamento, com a abstenção do partido de extrema direita Chega.
Na quinta-feira (29), o primeiro-ministro Luis Montenegro descartou retirar o texto, mas disse estar aberto a mudanças antes da votação final, prevista para as próximas semanas. Segundo ele, os partidos “precisam se aproximar”, embora tenha deixado claro que “a principal linha de atuação é o programa do governo”.
No sábado, o líder do Partido Socialista, Jose Luis Carneiro, cobrou que o governo negocie com a oposição e com os manifestantes, em vez de “impor arrogantemente suas posições, às vezes até com tons autoritários”.
Crise habitacional pesa sobre os jovens
Portugal enfrenta uma das piores crises de moradia da Europa, que atinge sobretudo os jovens. Os preços dos imóveis mais que dobraram desde 2017, e os aluguéis de novos contratos quase dobraram no mesmo período.
Os protestos contra a alta do custo de moradia ganharam força nas últimas semanas em Portugal e acompanham mobilizações parecidas na Espanha, na França, na Alemanha e em outros países europeus.
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