PF revela vínculos de Jaques Wagner com executivos do Banco Master em investigação

A Polícia Federal (PF) revelou detalhes de uma investigação envolvendo o senador Jaques Wagner (PT-BA), ex-líder do governo Lula, e a relação com executivos do Banco Master. Em relatórios apresentados ao Supremo Tribunal Federal (STF), a PF destaca uma ligação estreita entre Wagner e Augusto Ferreira Lima, ex-sócio da instituição financeira.
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Essa conexão teria facilitado o acesso do parlamentar a pautas legislativas e operações de interesse do banco.
Os documentos foram tornados públicos na quinta-feira (30) pelo ministro André Mendonça, relator do caso. A operação, que levou à busca e apreensão contra Wagner, ocorreu durante a nona fase da investigação, deflagrada em 18 de junho.
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A PF apura indícios de que o senador teria recebido vantagens econômicas em troca de sua atuação em temas relevantes para o Banco Master.
Investigação sobre vantagens recebidas
A PF aponta que entre as possíveis contrapartidas está a negociação para a compra de um apartamento avaliado em R$ 2,5 milhões destinado ao senador. Para investigar essas alegações, o ministro Mendonça autorizou o acesso aos registros telefônicos de Wagner, além do monitoramento da localização do celular dele por um período de dez dias.
O acesso incluía histórico de chamadas e mensagens SMS sem conteúdo.
Embora não tenha autorizado escutas ou acessos ao conteúdo das conversas, Mendonça justificou a urgência da medida devido à apresentação simultânea dos pedidos pela PF e a solicitação de audiência feita por um dos alvos da investigação. A relação entre Wagner e Augusto Lima é descrita pela PF como “longa e duradoura”, com registros de encontros familiares e viagens conjuntas.
Trocas pessoais e negócios
Em outubro de 2023, Wagner e sua esposa aceitaram um convite para passar um fim de semana na Ilha da Paixão, propriedade vinculada a Augusto Lima. Após essa viagem, houve intercâmbio de mensagens carinhosas entre os dois núcleos familiares, reforçando a proximidade entre eles.
Além disso, a PF identificou uma lista intitulada “Lembranças de Fim de Ano”, enviada pela secretária de Augusto em dezembro de 2024, contendo nomes como Bruno Reis, prefeito de Salvador; Rui Costa, ex-ministro da Casa Civil; e ACM Neto, ex-deputado federal.
As investigações também revelaram que Augusto Lima mantinha Jaques Wagner informado sobre os negócios do Banco Master. Isso incluiu atualizações sobre mudanças na estrutura acionária da instituição e negociações envolvendo o BRB. Entre as comunicações trocadas havia até emojis utilizados pelo senador para reagir às notícias relacionadas ao banco.
Reuniões no gabinete e propostas legislativas
Relatórios indicam que houve reuniões entre Wagner e Augusto Lima em seu gabinete no Senado. Em abril de 2024, Wagner sugeriu que esse local seria mais seguro para encontros discretos. O AGU foi procurado para comentar as reuniões mas negou participação nas mesmas.
A PF ressalta ainda que mensagens extraídas do celular de Augusto Lima indicam uma proposta formal conhecida como “emenda Master”, apresentada na PEC 63/2023 pelo senador Ciro Nogueira (PP-PI), também vinculado ao banco.
Aquisições suspeitas
Entre as alegações levantadas pela PF estão o uso indevido de aeronaves privadas, ingressos para shows caros e a possível aquisição de um apartamento em Salvador; os ingressos de show, comprados pela empresa REAG Investimentos S.A., custaram R$ 63.339. Mensagens encontradas no celular de Vorcaro mostram pedidos por discrição em voos relacionados ao transporte do senador.
A investigação indica que as tratativas para aquisição do imóvel continuaram mesmo após a prisão de Vorcaro em novembro de 2025.
Atualização em 28/10/2026: o texto foi corrigido com base na fonte original.
Editoria:
Redação Política
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