PF rastreia R$ 130 milhões em três meses em conta ligada a Willer Tomaz

A apuração no STF, relatada por Alexandre de Moraes, investiga suspeitas de lavagem de dinheiro, evasão de dívidas e possíveis irregularidades ligadas à Loterj.

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Advogado e empresário Willer Tomaz

A Polícia Federal investiga uma movimentação de R$ 130 milhões em três meses em uma conta bancária vinculada ao advogado e empresário Willer Tomaz. O inquérito, relatado no STF pelo ministro Alexandre de Moraes, apura suspeitas de lavagem de dinheiro e evasão de dívidas.

O valor foi movimentado de março a maio do ano passado, período em que os investigadores identificaram uma “aparente incompatibilidade com as atividades econômicas conhecidas”. A PGR emitiu parecer favorável à abertura do inquérito e ao avanço das apurações.

PF aponta possível uso de empresas para ocultar valores

Em relatório, a PF afirma que a dimensão da movimentação e o curto intervalo analisado justificam aprofundar a investigação sobre a origem dos recursos. “A expressividade do montante, somada à curta janela temporal analisada, constitui elemento de interesse investigativo e reforça a necessidade de aprofundar a operação quanto à origem dos recursos”, diz o documento.

Os investigadores também avaliam que o conjunto empresarial relacionado a Tomaz tem uma “estrutura operacional aparente que não parece compatível com o volume financeiro movimentado”. Para a PF, esse padrão sustenta a hipótese de que as estruturas tenham sido usadas para dificultar a identificação da origem, do destino e do beneficiário final dos valores.

A investigação aponta movimentação de até R$ 35 milhões em uma plataforma de apostas, além de saques em casas de apostas no exterior. A PF também apura a atuação de Tomaz em possíveis indícios de favorecimento a uma empresa de apostas esportivas e de fraude em uma licitação da Loterj (Loteria do Estado do Rio de Janeiro).

Investigação examina relações com Flávio Bolsonaro e Loterj

Willer Tomaz é amigo do candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro (RJ). Fotos encontradas no celular apreendido pela PF mostram os dois juntos, em uma “relação de proximidade”, com referências a “festas, encontros e reuniões”.

O advogado é um dos donos da aeronave usada por Flávio em janeiro de 2025. O avião era administrado por uma empresa ligada ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master. A apuração também mira a relação de Tomaz com o ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro (PL) e um pregão presencial da Loterj vencido pela empresa Pixs.

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De acordo com a investigação, Flávio teria dividido uma conta bancária com Tomaz. O indício surgiu em uma troca de e-mails entre uma instituição bancária e o escritório de advocacia do empresário. A assessoria de imprensa de Flávio negou a existência da conta conjunta, e Tomaz afirmou em nota que a informação “não condiz com a verdade”.

Tomaz contesta vazamento e nega irregularidades

A apuração começou com informações obtidas na nuvem de dados de Tomaz. O advogado foi alvo de busca e apreensão em agosto, na Operação Sem Desconto, que investiga um esquema de irregularidades no INSS.

Em nota divulgada no domingo (18), Tomaz disse que causa estranheza o vazamento da investigação “a poucas horas do debate entre os candidatos a presidente”. Ele afirmou que houve “uso indevido do aparato policial com o claro propósito de requentar acusações infundadas e interferir no resultado das urnas”.

Tomaz declarou que não houve circulação de recursos com empresas de apostas e, por isso, “inexiste qualquer movimentação financeira irregular”. Também afirmou que é “inaceitável que a quebra do sigilo telemático sirva de instrumento para uma pescaria probatória destinada a fabricar falsos escândalos com fins político-eleitorais”.

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