Petrobras e CNPq lançam programa de R$ 32 milhões para estudantes negras
Petrobras e o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) firmaram uma parceria para lançar um programa voltado à inclusão científica feminina negra no Ensino Médio.
Com investimento estimado em R$ 32 milhões da Petrobras, a ação vai oferecer 1.500 bolsas para estudantes negras em situação de vulnerabilidade social durante os três anos do ensino médio.
Detalhes das bolsas: foco na indústria energética
O projeto Inspiração tem como objetivo principal ampliar o número de jovens pretas e pardas nas carreiras relacionadas às áreas STEM (Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática). A iniciativa busca estimular novos talentos para pesquisas ligadas diretamente à indústria de óleo, gás e energia no Brasil.
As alunas selecionadas receberão uma bolsa mensal de R$ 550 durante todo o período escolar. Além do suporte financeiro, elas deverão desenvolver um currículo completo na Plataforma Lattes ao longo dos anos estudados em programa.
Pesquisas associadas aos objetivos da agenda global
O CNPq será responsável por lançar o edital que chamará universidades interessadas em realizar estudos complementares sobre os temas propostos pelo projeto. As linhas investigativas devem dialogar com as metas estabelecidas pela Agenda de Desenvolvimento Sustentável (ODS) das Nações Unidas para 2030.
Entre os eixos temáticos previstos, destacam-se a inovação tecnológica; métodos voltados à produção sustentável de energia; soluções aplicáveis na indústria energética brasileira; além do desenvolvimento de tecnologias capazes de melhorar diretamente a vida nas comunidades ao redor dos polos da Petrobras.
Inclusão no mercado profissional brasileiro
A necessidade deste tipo de ação afirmativa é reforçada por dados que apontam desafios estruturais tanto dentro quanto fora do setor energético. No âmbito interno, um estudo do centro de pesquisa da companhia mostra um desequilíbrio: 87% dos profissionais de STEM são homens, e as mulheres que se autodeclaram pretas ou pardas somam cerca de 4,57%.
Em nível nacional, as áreas consideradas estratégicas para a competitividade econômica — como Ciência e Tecnologia — ainda enfrentam dificuldades na formação adequada dos quadros humanos no Brasil. Dados divulgados em avaliações internacionais mostram índices preocupantes.
Baixo desempenho do país no Pisa
Os resultados mais recentes do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa), aplicado em 2022 em 81 países, evidenciaram os desafios educacionais brasileiros. O Brasil ficou na 65ª posição em matemática e na 61ª em ciências.
A avaliação identificou altas taxas de estudantes abaixo do nível básico nessas disciplinas, e menos de 3% alcançaram os níveis mais altos.
Atualização em 29/10/2026: o texto foi corrigido.
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