Peru em crise: eleições prolongadas desafiam a estabilidade política
Eleições peruanas se prolongam e desafiam a estabilidade política
As eleições presidenciais no Peru, realizadas em abril, ainda geram incertezas e tensões no país. Quase um mês após a votação, autoridades eleitorais iniciaram uma recontagem total dos votos, buscando garantir transparência e confiabilidade nos resultados, diante de uma disputa acirrada pela segunda vaga no segundo turno.
A medida visa apurar inconsistências em atas pendentes, que estão sob análise das comissões eleitorais, com a divulgação final dos resultados prevista para o dia 15 de maio, e o segundo turno agendado para o dia 7 de junho.
Disputa eleitoral acirrada
A disputa envolve Keiko Fujimori, ex-primeira-dama e filha do ex-ditador Alberto Fujimori, que lidera a contagem com 17,12% dos votos, e a briga pela segunda vaga entre o candidato de esquerda Roberto Sánchez (12%) e o ultraconservador Rafael López Aliaga (11,9%). A pequena diferença entre Sánchez e López Aliaga intensifica a incerteza sobre o desfecho da disputa.
A situação é complexa devido à grande quantidade de atas pendentes com inconsistências.
Crise política no Peru
A ex-deputada e ex-candidata à Presidência da República, Veronika Mendoza, avalia que o pleito não resolverá a profunda crise política que assola o Peru há uma década, marcada por nove presidentes em dez anos. Mendoza, integrante do partido Nuevo Perú, virá ao Brasil em maio para participar de uma conferência.
Ela expressou preocupação com o cenário político do país, caracterizado pela fragmentação política e pela violência eleitoral.
Análise de Veronika Mendoza
Veronika Mendoza destacou o crescimento da extrema direita no Peru, impulsionado por uma estratégia comum de fragmentação e pela proliferação de partidos, que dificultaram a consolidação de um candidato forte. Ela criticou a “radicalização” da extrema direita, evidenciada por ameaças e atos de violência durante o processo eleitoral.
A deputada enfatizou a necessidade de uma solução constituinte ou fundamental para superar a crise política.
Veronika Mendoza apontou que o sistema eleitoral peruano é desproporcional, com apenas 6 dos 35 partidos tendo representação nas câmaras legislativas. A distribuição de cadeiras, baseada na soma de votos em branco e nulos, não reflete a vontade popular, e o fujimorismo, com apenas 17% dos votos na presidência, terá uma representação desproporcional no Senado e na Câmara dos Deputados.
A deputada alertou para o risco de um regime parlamentar, imposto pela coalizão corrupta, que poderia definir as leis, nomear altos funcionários e não ser dissolvido pelo presidente.
Legado do fujimorismo
Veronika Mendoza ressaltou que o legado do fujimorismo, marcado por neoliberalismo predatório, precariedade e violência, continua a influenciar a extrema direita no país. Apesar da derrota de Fujimori em 2000, o sistema neoliberal imposto permaneceu intacto, e novas opções políticas, ainda mais conservadoras, surgiram.
A deputada enfatizou a importância de defender a soberania do Peru, diante da interferência dos Estados Unidos e da China, que buscam explorar os recursos minerais do país.
Governo Castillo e a crise
Pedro Castillo, eleito em 2021, enfrentou forte oposição e foi deposto após tentar dissolver o Congresso. A crise política e de regime que o Peru vive desde 2016, com a queda de vários presidentes, é resultado de 30 anos de neoliberalismo predatório e 500 anos de colonialismo.
A deputada Mendoza defende a necessidade de uma solução constituinte ou fundamental, construída a partir da base, a partir dos territórios, e reconstruindo a política.
Recursos estratégicos e intervenção estrangeira
O Peru é rico em minerais estratégicos, o que interessa aos Estados Unidos. A deputada Mendoza alerta para a tentativa dos EUA de recuperar terreno na região, com investimentos em setores estratégicos e a assinatura de acordos para garantir o acesso aos minerais.
Ela defende uma estratégia mais ativa por parte dos governos progressistas da região para defender a soberania do Peru.
Atualização em 30/10/2026: o texto foi corrigido.
Editoria:
Redação Internacional
A Redação Internacional reúne a cobertura do Clique Fatos sobre os principais acontecimentos fora do Brasil. As matérias são produzidas com apoio de inteligência artificial a partir de agências e veículos citados no texto. Encontrou um erro? Escreva para contato@cliquefatos.com.br.