Peru confirma morte de 11 cidadãos alistados nas Forças Armadas russas e 114 estão desaparecidos

O governo peruano alerta sobre os perigos do recrutamento forçado, enquanto famílias pressionam por respostas sobre os desaparecidos nas Forças Armadas russas.

09/08/2026 20:20

3 min

Ataque com mísseis da Rússia atinge a região de Kiev, na Ucrânia
Ataque com mísseis da Rússia atinge a região de Kiev, na Ucrânia

Onze peruanos perderam a vida e 114 estão desaparecidos após se alistarem nas Forças Armadas russas, conforme informou o Ministério das Relações Exteriores do Peru. A chancelaria revelou que, até o momento, 459 cidadãos peruanos se alistaram oficialmente na Rússia.

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O novo balanço foi divulgado em meio ao anúncio do governo sobre a repatriação de dois jovens peruanos que conseguiram escapar do recrutamento forçado para combater na Ucrânia.

O consulado peruano na Rússia prestou assistência e coordenou a repatriação desses jovens, que estavam em situação de vulnerabilidade. “Todos eles chegaram ao Peru e estão com suas famílias”, afirmou a chancelaria em um comunicado. Esses dois jovens se juntam a outros dois peruanos que foram atendidos no final de julho pela seção consular da Embaixada do Peru na Rússia.

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No total, 31 peruanos foram retirados: 28 retornaram ao país, enquanto três decidiram permanecer na Europa.

Aviso sobre recrutamento e trabalho no exterior

O ministério também emitiu um alerta aos cidadãos sobre os riscos de falsas ofertas de trabalho no exterior. “A população é alertada a não se deixar enganar por falsas propostas de emprego, pois pode acabar caindo em situações perigosas”, disse a chancelaria.

Além disso, o governo destacou que prestar serviço militar para um Estado estrangeiro requer autorização prévia.

Esse anúncio surge após meses de pressão das famílias que buscam respostas sobre seus parentes. Recentemente, a CNN conversou com 12 famílias peruanas que participaram de protestos e vigílias em frente à Embaixada da Rússia em Lima e ao Ministério das Relações Exteriores.

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Os relatos indicam que alguns homens viajaram para a Rússia atraídos por promessas de trabalho como seguranças ou em outras funções civis, sem imaginar que seriam recrutados para as forças russas.

Pedro Bravo, diretor de Comunidades Peruanas no Exterior da Chancelaria, comentou que muitos dos recrutados vêm de famílias carentes e enfrentam uma necessidade urgente de dinheiro, o que os torna mais suscetíveis a esse tipo de oferta enganosa. “É muito mais fácil enganá – los”, afirmou Bravo.

Histórias de desaparecimento e investigações

Uma das mães entrevistadas pela CNN, identificada apenas como Norma, relatou que seu filho, de 31 anos, viajou para a Rússia após aceitar um suposto trabalho como cozinheiro para o Exército russo. Após algum tempo, ele começou a enviar fotos e vídeos com equipamentos militares, cavando trincheiras e construindo abrigos.

Desde abril, ele não envia mais mensagens. “Espero que ele esteja escondido em alguma trincheira, mas realmente não sei”, desabafou Norma.

Diante das denúncias sobre recrutamento forçado, o Ministério Público peruano anunciou uma investigação em maio sobre possíveis casos de tráfico de pessoas relacionados ao recrutamento pela Rússia. Percy Salinas, advogado representando algumas dessas famílias, entregou à CNN uma cópia da ordem do Ministério Público que detalha o alcance da investigação judicial.

As autoridades estão apurando 36 denúncias feitas por cidadãos peruanos cujos familiares ou amigos alegaram terem sido enganados com promessas enganosas na Federação Russa para serem levados fora do país e forçados a participar do conflito armado entre Rússia e Ucrânia.

Ações do governo peruano

O Ministério Público ainda não comentou oficialmente sobre o caso quando procurado pela CNN. Pedro Bravo informou que o governo fez pelo menos 247 solicitações a Moscou em busca de informações sobre os peruanos envolvidos nas forças russas e exigiu “o retorno imediato e seguro” dos compatriotas ao seu país.

A resposta da Rússia foi reafirmar seu respeito pela decisão dos cidadãos estrangeiros em participar da defesa da soberania russa. A Embaixada da Rússia em Lima destacou sua disposição contínua para tomar todas as medidas necessárias para obter informações rapidamente com base nas solicitações feitas formalmente.

Autor(a):

Apaixonada por cinema, música e literatura, Júlia Mendes é formada em Jornalismo pela Universidade Federal de São Paulo. Com uma década de experiência, ela já entrevistou artistas de renome e cobriu grandes festivais internacionais. Quando não está escrevendo, Júlia é vista em mostras de cinema ou explorando novas bandas independentes.

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