Pentágono atualiza registro e número de militares feridos na guerra chega a 624

A atualização do Pentágono gera novas preocupações sobre a transparência dos dados de baixas militares e a resposta do governo aos questionamentos do Congresso.

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Caixões contendo os restos mortais do primeiro-tenente do Exército dos EUA Tyler Feehan e do sargento Michael Emmanuel Swinton chegam à Base Aérea de Dover durante uma cerimônia oficial de transferência de militares mortos na guerra contra o Irã, em 22 de julho | Foto: Reprodução

O Pentágono divulgou uma atualização em seu banco de dados sobre baixas em combate, que agora inclui mais de 140 novos feridos e restabelece os quatro soldados mortos nos ataques iranianos ocorridos no último fim de semana. O Sistema de Análise de Baixas da Defesa (Defense Casualty Analysis System, ou DCAS) passou a contar com uma nova categoria chamada “Operações no Exterior”, destinada a registrar mortes e ferimentos a partir de 7 de julho.

Com essa atualização, somada aos números revisados da Operação Epic Fury, o total de militares mortos chega a 18, enquanto outros 624 ficaram feridos desde o início da guerra dos Estados Unidos contra o Irã em 28 de fevereiro. Este número representa um aumento significativo em relação ao pico anterior de 482, conforme reportado pela CNN na semana passada.

Questionamentos sobre os dados

A imprensa e parlamentares questionaram o Pentágono na última semana, quando os números de mortos e feridos foram reduzidos no sistema DCAS. Uma carta enviada por 12 senadores democratas do Comitê de Serviços Armados ao secretário de Defesa, Pete Hegseth, pedia explicações sobre essas alterações.

A CNN notou falhas no sistema que provocaram oscilações nos totais de baixas durante a monitorização do site na semana passada.

Na sexta-feira, a CNN solicitou mais informações ao Pentágono sobre as interrupções nos dados, mas até a tarde deste domingo o departamento não havia reconhecido nem respondido ao pedido.

Nova categoria e seus impactos

A nova categoria “Operações no Exterior” no site do DCAS não fornece detalhes adicionais sobre os conflitos que resultaram nas baixas. O Pentágono também não respondeu imediatamente às perguntas sobre o que exatamente essa nova classificação abrange.

A data inicial estabelecida para essa nova categoria coincide com uma declaração feita pelo presidente Donald Trump, que afirmou ter iniciado um novo conflito com o Irã em uma notificação enviada ao Congresso baseada na Lei dos Poderes de Guerra (War Powers Act) no início deste mês.

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Essa legislação exige que o presidente encerre operações militares em até 60 dias, salvo autorização do Congresso para sua continuidade.

Debates sobre a legalidade das ações

O governo Trump argumenta que um cessar-fogo firmado com o Irã em abril reiniciou essa contagem em 1º de maio. No entanto, parlamentares de ambos os partidos contestam essa interpretação quanto aos prazos da Lei dos Poderes de Guerra. Analistas e autoridades também afirmam que essa legislação pode representar uma limitação inconstitucional ao poder presidencial para conduzir guerras.

Durante uma coletiva na Casa Branca em maio, o secretário de Estado Marco Rubio declarou que a lei é “100% inconstitucional”. Além disso, a senadora republicana Lisa Murkowski, do Alasca, expressou sua preocupação após questionar Hegseth durante uma audiência em 21 de julho sobre como o governo estaria contornando o papel do Congresso ao reiniciar essa contagem através do cessar-fogo. “Essa interpretação permite, na prática, que o presidente zere o prazo previsto na Lei dos Poderes de Guerra justamente quando ele se torna juridicamente inconveniente… evitando a autorização do Congresso exigida pela Constituição e prevista pela própria Lei dos Poderes de Guerra”, afirmou Murkowski.

Atualização em 29/10/2026: o texto foi corrigido com base na fonte original.

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