Santiago Peña é detido em casa após Senado aprovar destituição por 44 votos no Paraguai

Pedro Alliana assume a Presidência até 2028, e o Ministério Público também pede a prisão do ex-chefe do Banco Central, Carlos Carvallo, no caso Ueno Bank.

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FOTO DE ARQUIVO: O presidente do Paraguai, Santiago Peña, fala durante entrevista à Reuters, em Assunção, Paraguai, em 21 de agosto de 2024. REUTERS/Cesar Olmedo/Foto de arquivo

O ex-presidente do Paraguai Santiago Peña foi detido em sua residência na sexta-feira (6), logo depois de o Senado aprovar sua destituição. A informação foi divulgada pelo jornal paraguaio ABC Color, que acompanhou a ação da Polícia Nacional.

A prisão cumpre determinação do Ministério Público, que pediu a prisão preventiva de Peña em meio às investigações sobre a crise financeira do Ueno Bank. Com a saída dele, o vice-presidente Pedro Alliana assumiu o comando do Executivo.

Ministério Público pede prisão de Peña e de Carlos Carvallo

Na mesma sexta-feira, o Ministério Público pediu a prisão de Peña e do ex-presidente do Banco Central do Paraguai (BCP), Carlos Carvallo. O caso envolve lesão de confiança e outros delitos.

O requerimento chegou ao Juízo de Garantias pelas mãos de quatro procuradores, vindos das unidades especializadas em Crimes Econômicos e Anticorrupção e em Crimes Informáticos. Eles pedem que seja cumprida uma ordem de prisão expedida na própria sexta-feira contra os dois ex-dirigentes.

De acordo com o ABC Color, Peña deve permanecer detido em casa até ficar à disposição do Ministério Público. Carvallo, por sua vez, deverá cumprir custódia nas instalações definidas pelo Comando.

Senado derruba Peña com 44 votos pela saída

O Senado aprovou por unanimidade o impeachment de Peña, em meio à crise política provocada pelo escândalo do Ueno Bank. Os parlamentares contabilizaram 44 votos pela saída do presidente.

O argumento central foi o mau desempenho das funções do cargo, hipótese prevista na Constituição paraguaia para afastar um chefe de Estado. A decisão teve apoio de todas as bancadas e atingiu o número necessário para tirá-lo do cargo de imediato.

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Pedro Alliana, que era vice, passa a governar até 2028. A crise começou quando o banco sofreu intervenção do Banco Central por problemas de solvência, deixando milhões de clientes sem acesso ao dinheiro e provocando protestos no país.

Peña reconhece derrota em comunicado antes da votação

Minutos antes da votação, Peña divulgou um comunicado em que já reconhecia a derrota. Ele afirmou: “Apresentei minha renúncia para evitar maiores danos ao país e ajudar a restabelecer a tranquilidade no Paraguai. Não quero que minha presença cause mais divisão ou instabilidade. Minha responsabilidade é colocar o país acima do meu futuro pessoal”, alegou.

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