Demanda por diesel sobe 19% até 2036, e produção cresce só 13%: importação vai a 51 mil m³ por dia

Sem refino suficiente, o Brasil segue exposto a preço internacional e câmbio, segundo o PDE 2036, enquanto a gasolina deve alcançar autossuficiência até 2036.

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Bomba de combustível em posto de gasolina, 07/03/2022 | Foto: REUTERS/Adriano Machado

O Brasil seguirá dependendo da importação de diesel nos próximos dez anos, mesmo com os investimentos previstos para ampliar o refino. A projeção está no Plano Decenal de Expansão de Energia (PDE 2036), divulgado na terça-feira (3) pelo Ministério de Minas e Energia (MME) e pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE).

Pelo estudo, a demanda por diesel A, derivado do petróleo, deve subir 19% entre 2026 e 2036, enquanto a produção nacional cresce 13%. Na prática, as importações líquidas saltam de 36,6 mil para cerca de 51 mil metros cúbicos por dia no período.

Refino não acompanha a demanda por diesel

O diesel é usado no transporte rodoviário de cargas e no agronegócio, dois pilares da economia. Enquanto o país depender de compras no exterior, parte do abastecimento ficará sujeita às variações dos preços internacionais e do câmbio.

A produção de petróleo deve chegar a 4,9 milhões de barris por dia em 2036, e mais da metade desse volume vai para exportação. Já a capacidade de refino deve passar de 2,3 milhões para 2,5 milhões de barris por dia, alta de cerca de 10% na década, puxada por refinarias já existentes e novos projetos.

Mesmo assim, o avanço não basta para cobrir a demanda por diesel. O PDE aponta que o Brasil continuará importador líquido de derivados de petróleo ao longo de todo o período analisado.

Gasolina pode atingir autossuficiência até 2036

No caso da gasolina, a previsão é mais otimista. O governo calcula que o país consiga produzir internamente todo o volume consumido até 2036. A conta leva em conta uma demanda estável, impulsionada pela maior mistura de etanol e pela expansão dos veículos eletrificados.

Em 2026, a mistura obrigatória de etanol anidro na gasolina subiu de 30% para 32%, e o governo estuda levar esse índice a 35%. Como o biocombustível substitui parte da gasolina de origem fóssil, a mudança reduz a necessidade de produzir e importar o derivado de petróleo.

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Querosene de aviação e gás de cozinha também entram no plano

O PDE prevê queda da dependência externa de outros derivados. No querosene de aviação (QAV), hoje importado em cerca de 16%, o Brasil pode chegar à autossuficiência até 2036, com base em investimentos no refino e na adoção gradual de combustíveis sustentáveis de aviação.

Já o gás liquefeito de petróleo (GLP), usado como gás de cozinha, deve ter produção nacional 22,5% maior, impulsionada pela expansão do processamento de gás natural. O estudo também ressalta que será preciso ampliar a infraestrutura de transporte e distribuição para acompanhar o crescimento do consumo.

As estimativas do PDE 2036 servem de referência para o planejamento energético do país, mas dependem da execução dos investimentos previstos.

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