Paul Mackenzie é condenado por 191 mortes; quase todas as vítimas eram crianças
Paul Mackenzie, líder da seita cristã Good News International Church, foi considerado culpado pelo assassinato de 191 pessoas na floresta de Shakahola, no leste do Quênia. A decisão foi anunciada na segunda-feira (19) pelo Tribunal Superior de Mombaça, que também condenou cerca de 30 outros suspeitos.
Quase todas as vítimas eram crianças. A sentença de Mackenzie e dos demais acusados será anunciada em 6 de novembro; a defesa afirmou que pretende recorrer.
Tribunal aponta jejum forçado e maus-tratos
Os promotores descreveram o julgamento como um dos casos criminais “mais relevantes” da história do país. O tribunal concluiu que as mortes resultaram de um “sistema organizado” que usava ensinamentos religiosos e uma hierarquia para impor jejuns letais, segundo o gabinete do diretor do Ministério Público do Quênia.
Em comunicado, o órgão informou que o jejum começou pelas crianças e que guardas controlavam a movimentação dos seguidores e impediam que fugissem. O tribunal também ouviu que Mackenzie desencorajava o uso da medicina moderna e o acesso à educação formal.
Os exames post mortem citados pela juíza Diana Kavedza indicaram que algumas vítimas morreram por asfixia, compressão no pescoço ou traumatismos cranianos, e não apenas por inanição.
Exumação na floresta começou em abril de 2023
Mackenzie e os outros acusados foram denunciados pelos homicídios em 2024, após a exumação de centenas de corpos de crianças na floresta de Shakahola. As autoridades começaram a encontrar restos mortais no local em abril de 2023; até o momento, 429 corpos foram recuperados.
O líder da seita foi acusado de orientar seguidores a submeterem a si mesmos e aos filhos à inanição até a morte, com a promessa de que alcançariam o céu e encontrariam Jesus. Novas acusações poderão ser apresentadas.
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Na decisão, que levou mais de oito horas, a juíza disse que Mackenzie usava sermões e materiais escritos para convencer os seguidores de que o mundo exterior era maligno e que a salvação dependia da mudança para a floresta. Provas extraídas do celular dele, incluindo mensagens de Whats App, mostraram comunicações com os seguidores antes da mudança para Shakahola.
Eles foram convencidos a deixar casas, famílias e meios de subsistência, segundo a juíza.
Defesa diz que seguidores jejuaram voluntariamente
O diretor do Ministério Público afirmou que crianças eram contidas, privadas de alimento e punidas quando tentavam comer ou fugir. A juíza também descreveu que seguidores que resistiram à ordem de Mackenzie foram forçados a obedecer.
Lawrence Obonyo, advogado de Mackenzie, disse a repórteres que a defesa pretende recorrer. Segundo ele, o réu sustenta que não obrigou ninguém a jejuar e que as ações das vítimas foram voluntárias.
Rodgers Shibutse, morador de Nairóbi, contou que encontrou os restos mortais da mãe entre os corpos exumados em fevereiro de 2024. Em declaração à CNN na segunda-feira, disse que Mackenzie causou sofrimento imenso e que deseja que ele seja condenado à prisão perpétua.
Questionado se a condenação representaria justiça pela morte da mãe, Shibutse respondeu: “Não é justiça 100%, mas, pelo menos, o governo fez alguma coisa”. A sentença de Mackenzie e dos demais acusados será proferida em 6 de novembro.
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