Papa Leão XIV critica assassinato de manifestantes no Irã e responde a Donald Trump

Papa Leão XIV condena assassinato de manifestantes no Irã
Nesta quinta-feira (23), o papa Leão XIV expressou sua forte condenação ao assassinato de manifestantes no Irã. A declaração veio após críticas do presidente dos EUA, Donald Trump, que havia questionado o líder católico por não se manifestar contra a guerra liderada pelos EUA e Israel.
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Leão XIV, o primeiro papa americano, também lamentou a morte de “tantos” civis durante o conflito e o fracasso nas negociações de paz entre EUA e Irã, durante uma coletiva de imprensa em seu voo de volta a Roma, após uma viagem por quatro países africanos.
“Condeno todas as ações injustas. Condeno o assassinato de pessoas”, afirmou o papa, referindo-se a relatos de que o Irã teria matado milhares de manifestantes. Leão XIV já havia sido chamado de “terrível” em 12 de abril, após criticar a guerra dos EUA e de Israel contra o Irã, além das políticas anti-imigração do presidente.
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Em uma postagem dois dias depois, Trump questionou se “alguém poderia, por favor, contar ao papa Leão” sobre as mortes de manifestantes iranianos.
Conflito entre Trump e o papa Leão XIV
O presidente Donald Trump fez uma extensa publicação nas redes sociais, criticando diretamente o papa Leão XIV e citando suas declarações sobre operações militares dos EUA. O líder da Igreja Católica, por sua vez, reafirmou seu compromisso em continuar os protestos contra os conflitos armados.
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O desentendimento entre Leão XIV e Trump não é recente; em 2025, o papa já havia criticado a forma como o governo americano lidava com a imigração, sendo visto como alguém que poderia se opor a algumas políticas do governo Trump.
Na noite de domingo (12), Trump descreveu o papa como “fraco no combate ao crime e péssimo em política externa”. Ele também mencionou a pandemia de Covid-19, alegando que a Igreja Católica e outras organizações cristãs “prenderam” líderes religiosos por realizarem cultos, sem apresentar evidências.
Trump ainda fez referência a Louis, irmão de Leão XIV, sugerindo que ele apoiaria seu governo e entenderia suas políticas. O presidente expressou que “não quer” um papa que considere normal o Irã possuir armas nucleares.
Respostas do papa e do Vaticano
Após as críticas de Trump, o papa Leão XIV declarou à agência Reuters que não deseja entrar em debate com o presidente americano. “Não acho que a mensagem do Evangelho deva ser deturpada da maneira como algumas pessoas estão fazendo”, ressaltou.
Ele reafirmou seu compromisso em se manifestar contra a guerra, promovendo a paz e o diálogo entre os Estados. Em um discurso na Argélia, pediu aos líderes que construíssem uma sociedade baseada na justiça e solidariedade, destacando a urgência diante das violações do direito internacional.
As críticas de Trump também provocaram reações no Vaticano. Antonio Spadaro, subsecretário do Dicastério para a Cultura e a Educação, comentou que “Trump não debate com Leão: ele implora que o papa se refugie em uma linguagem que ele possa dominar.
Mas o papa fala outra língua, uma que se recusa a ser reduzida à gramática da força, da segurança, do interesse nacional”.
Autor(a):
Ricardo Tavares
Fluente em quatro idiomas e com experiência em coberturas internacionais, Ricardo Tavares explora o impacto global dos principais acontecimentos. Ele já reportou diretamente de zonas de conflito e acompanha as relações diplomáticas de perto.



