Papa Leão celebra missa em Paysandú e pede a 40 mil pessoas que deixem divergências de lado
O Papa Leão pediu a cerca de 40 mil pessoas, muitas delas esperando a noite inteira sob chuva na fronteira entre Uruguai e Argentina, que deixem de lado suas divergências. A fala aconteceu durante uma viagem por uma região marcada por divisões políticas profundas.
Leão faz um roteiro de 12 dias por três países. Entre Montevidéu e Paysandú, cidade às margens de um rio no noroeste uruguaio, ele percorreu cerca de 750 km. Paysandú foi a primeira cidade visitada por um papa.
Multidão encara vento forte para ver o papa em Paysandú
A chuva forte deu uma trégua pouco antes da chegada do pontífice ao vasto parque no extremo sul da cidade. Ao passar no papamóvel aberto, Leão foi recebido com aplausos e buzinas, mesmo com ventos fortes. O Vaticano escolheu o local para a primeira missa do papa na América do Sul por ser de fácil acesso a peregrinos de toda a região.
No sermão, Leão usou como exemplo a Ponte Internacional General Artigas, que liga o Uruguai à Argentina. “Não é difícil imaginar os benefícios que uma ponte traz: abertura, comunicação e intercâmbio. É por isso que é tão importante sermos construtores de pontes!”, disse ele.
Em seguida, completou: “Esta é a vocação para a qual todos nós somos chamados: construir pontes, fortalecer laços, unir, comunicar.”
Viagem desgastante ocorre menos de um mês após cirurgia
O pontífice, de 71 anos, enfrenta uma das viagens internacionais mais exigentes feitas por um líder católico nas últimas décadas. Ela acontece menos de um mês depois de ele se submeter a uma cirurgia de câncer de pulmão.
O Vaticano classificou o roteiro como um “retorno ao lar”. Leão atuou como missionário no Peru por décadas e recebeu a cidadania peruana. Nos últimos meses, ele tem feito duras críticas aos rumos da liderança global, e deve tratar de temas como destruição ambiental, tráfico de armas e instabilidade política na região.
Vigília no Estádio Centenário reúne cerca de 100 mil pessoas
De volta a Montevidéu, Leão participou de uma vigília noturna no Estádio Centenário, local mais associado a jogos de futebol do que a celebrações religiosas. O Vaticano estimou em cerca de 100 mil pessoas o público que o recebeu, entoando: “Papa Leão, nós te amamos muito”.
Mathias Franco, de 18 anos, foi ao estádio com dois amigos e se disse surpreso com a quantidade de gente. Para ele, o público chamou atenção num país conhecido pela forte tradição secular.
Uma pesquisa do instituto Cifra mostra que apenas um terço dos adultos uruguaios se declara católico, índice excepcionalmente baixo para a América Latina. Outros 28% acreditam em Deus, mas não se ligam a nenhuma religião. “Sempre nos dizem que este é o país mais secular da América Latina, mas eventos como este mostram algo diferente”, afirmou Franco. “Vejo esta visita como uma grande oportunidade para o Uruguai, para crescermos como comunidade.”
Papa visita Casavalle e cobra atenção aos mais pobres
No sábado à tarde, Leão esteve em Casavalle, bairro da periferia norte de Montevidéu conhecido pela violência e pelos crimes ligados ao tráfico de drogas. Ele caminhou entre moradias precárias e ouviu os moradores. Uma mãe chorou ao contar como é criar um filho depois de viver em situação de rua.
O papa a abraçou.
No discurso, Leão pediu que os uruguaios “deixem de lado” a apatia diante da pobreza e da desigualdade e ajudem quem mais precisa. “Não podemos ignorar as muitas pessoas ao nosso redor que estão sofrendo”, declarou.
Antes da chegada do papa, o pastor Pablo Coimbra, de uma igreja próxima, disse à Reuters que esperava que a visita animasse uma comunidade que, muitas vezes, se sente esquecida. “É uma área esquecida pelos governos e pelas instituições”, afirmou Coimbra.
A polícia classifica o bairro como “área vermelha”, e moradores costumam ouvir tiros decorrentes de disputas territoriais entre traficantes.
Leão segue para a Argentina e fala ao lado de Milei
O papa encerra a visita ao Uruguai na manhã de domingo (8). À tarde, segue para a Argentina, onde discursa diante do presidente Javier Milei, libertário visto como aliado próximo do presidente dos EUA, Donald Trump.
No início deste ano, Trump criticou duramente Leão XIV depois que o papa se manifestou contra a guerra no Irã.
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