Operação no Rio desmantela rede de lavagem de dinheiro com Al-Qaeda e prende 10 pessoas envolvidas

A operação revela a complexa ligação entre facções brasileiras e a Al-Qaeda, destacando a necessidade de ações mais rigorosas contra a lavagem de dinheiro.

Comando Vermelho e Primeiro Comando da Capital

Uma operação das forças de segurança do Rio de Janeiro desvendou uma suposta rede de lavagem de dinheiro que envolve facções criminosas brasileiras e a Al – Qaeda, movimentando mais de R 100 milhões. As investigações, conduzidas pelo Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro e pela Polícia Civil, revelaram que um grupo agia como “prestadora de serviços” financeiros para o PCC (Primeiro Comando da Capital), CV (Comando Vermelho) e TCP (Terceiro Comando Puro.

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Até o momento, 10 pessoas foram presas e 22 denunciadas à Justiça. Entre os denunciados estão nomes como Bárbara Luzia Souza de Carvalho, considerada uma das operadoras financeiras centrais da rede criminosa, além dos irmãos Reda, Yasser e Kassem Zayoun, empresários libaneses envolvidos na circulação interestadual de recursos ilícitos.

Detalhes da Operação Hawala

A operação foi realizada por equipes do Departamento – Geral de Polícia Especializada e da Coordenadoria de Recursos Especiais, que cumpriram dez mandados de prisão e 37 mandados de busca e apreensão. Medidas cautelares também foram adotadas, incluindo o bloqueio de ativos financeiros e a indisponibilidade de bens relacionados aos investigados.

As diligências aconteceram em diferentes locais, como Rio de Janeiro, Minas Gerais e Foz do Iguaçu.

A investigação teve início a partir da atuação do TCP no Complexo de São Carlos, na Região Central do Rio. Os agentes descobriram que a mesma estrutura financeira era utilizada para lavar dinheiro das outras facções criminosas. Entre 2021 e 2024, o esquema movimentou mais de R 100 milhões através de dezenas de empresas fictícias registradas em diversos estados.

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Essas empresas eram utilizadas para dar uma aparência legal ao dinheiro oriundo do tráfico de drogas e outras atividades ilegais. O apoio do Laboratório de Tecnologia contra Lavagem de Dinheiro (LAB – LD) da Polícia Civil permitiu a identificação detalhada dos métodos usados pelos criminosos para ocultar a origem ilícita dos recursos.

Interações internacionais e ligação com a Al – Qaeda

Um dos pontos mais alarmantes das investigações é a relação comercial entre um dos investigados e um indivíduo sancionado pelo Office of Foreign Assets Control (OFAC), órgão do Departamento do Tesouro dos Estados Unidos. Este indivíduo está associado ao financiamento da organização terrorista Al – Qaeda.

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As análises indicaram que uma operadora financeira administrava empresas que movimentaram mais de R 47 milhões durante o período investigado. Além disso, um contador ligado à organização criminosa teria exercido um papel crucial na manutenção das operações fraudulentas, garantindo uma fachada legal às empresas utilizadas na lavagem de dinheiro.

Os investigadores notaram que este contador já havia sido mencionado em outros inquéritos policiais relacionados a fraudes societárias, envolvendo alterações contratuais em empresas inativas. Sua atuação é vista como essencial para manter a estrutura empresarial necessária ao funcionamento da rede criminosa.

Próximos passos nas investigações

A análise das provas coletadas durante a operação permitirá um aprofundamento nas conexões entre os membros da rede criminosa e as facções envolvidas. O Ministério Público continuará acompanhando as repercussões legais enquanto busca identificar outros possíveis integrantes desse esquema complexo.

A CNN Brasil tenta contato com as defesas dos denunciados para obter seus posicionamentos sobre as acusações apresentadas até o momento.