Operação Conectados: Fraude em Licitações Públicas Revela Esquema Bilionário no Piauí

Operação Conectados Expõe Esquema de Fraudes em Licitações Públicas
Uma operação policial deflagrada na terça-feira, 2 de junho de 2026, a Operação Conectados, intensificou a investigação sobre uma organização criminosa que se dedicava a fraudar licitações e superfaturar contratos públicos. A ação, que contou com mandados de busca e apreensão em Teresina e Oeiras, é a segunda fase da operação, iniciada em abril de 2024.
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Investigação Aprofundada da “Segunda Camada”
A fase inicial da Operação Conectados visava interromper as práticas criminosas, coletar provas e identificar os responsáveis por simular a competição nos processos licitatórios. A nova etapa, com o apoio da Polícia Federal, aprofunda as investigações, focando na “segunda camada” do grupo criminoso, que inclui empresas sucessoras, sócios ocultos e operadores financeiros envolvidos nas atividades ilícitas.
Durante as buscas, foram apreendidos aparelhos eletrônicos, documentos, registros financeiros e valores em dinheiro sem origem lícita comprovada. O Ministério Público Federal (MPF) informou que uma das empresas do grupo firmou contratos com diversas prefeituras do Piauí, totalizando mais de R$ 7,3 milhões em pouco mais de dois anos – um valor que representa 73 vezes o capital social da empresa.
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Prefeituras do Piauí e Irregularidades em Pregão Eletrônico
A Prefeitura de Oeiras foi o ente público que mais efetuou pagamentos à companhia. Um dos mandados de busca e apreensão foi executado na Zona Leste de Teresina, no escritório Escrita Contabilidade Pública, ligado a Alan Brandão, superintendente da SDU Norte da Prefeitura da capital.
A investigação revelou uma revisão indevida de preços em um pregão eletrônico, gerando um prejuízo potencial de R$ 1.777.776,30 aos cofres públicos.
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Além disso, o grupo criminoso chegou a firmar contratos com sobrepreço de até 211,6%. A organização criminosa exercia influência nas prefeituras por meio de assessorias contábeis e jurídicas, com aliados posicionados como pregoeiros para controlar os processos licitatórios e integrantes infiltrados vazando dados sobre futuras contratações com antecedência.
Estratégias de Lavagem de Dinheiro e Expansão do Esquema
Os investigadores identificaram que a estrutura criminosa atuava em outros municípios do Piauí e no Maranhão, expandindo o esquema por meio de contratos de fornecimento de materiais, prestação de serviços de assessoria contábil e jurídica, além da infiltração de pregoeiros.
Após receber os pagamentos, o grupo realizava saques fracionados de R$ 9.000 e R$ 3.000, buscando contornar os alertas do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras).
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O dinheiro era utilizado para distribuir o lucro e pagar propinas a agentes públicos. A primeira fase da Operação Conectados, deflagrada em 2024, resultou na apreensão de mais de R$ 1,6 milhão em dinheiro em espécie em um endereço vinculado a uma empresa de contabilidade.
A análise do material recolhido confirmou a existência de um grupo criminoso estruturado, que utilizava contratos de assessoria com prefeituras para obter informações privilegiadas e influenciar processos licitatórios, favorecendo empresas vinculadas à organização.
Os investigados poderão responder por associação criminosa, fraude em licitação, corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro e outros delitos identificados no curso da investigação.
Autor(a):
Ricardo Tavares
Fluente em quatro idiomas e com experiência em coberturas internacionais, Ricardo Tavares explora o impacto global dos principais acontecimentos. Ele já reportou diretamente de zonas de conflito e acompanha as relações diplomáticas de perto.



